domingo, 7 de junho de 2026
Sintetizando a luz
Maio de 1984
O vento não fala só de movimento,
também sussurra saudade...
Será que você ainda me vê?
Era 1984, a gente atropelava os fatos.
Era como se o fim já estivesse escrito,
bem ao nosso ritmo!
Não era pureza,
e ainda assim tínhamos quase todas as certezas,
Não eramos covardes:
Fazíamos parte do verde da natureza.
Os olhos colados na TV,
o filme rolava na Sessão da Tarde.
Lá fora, o vento varria folhas de outono,
chegava sem pedir licença.
Mas a gente já não batia continência.
Era um jeans azul, o All Star,
o cinema ou algum show de rock.
Éramos tão jovens!
Cabíamos em qualquer lugar...
Respirávamos liberdade.
Encontrei no fundo de uma gaveta,
um canhoto de cinema,
estava colado a um poema,
reconheci sua letra.
Fui à esquina à procura do velho orelhão,
queria tanto te ligar!
Mas que bobagem!
A saudade ainda escapa pelas frestas...
É o que resta.
Cruzamos o século, um tanto melancólico,
o digital não preenche o nosso estado analógico.
Não vejo mais teus olhos castanhos.
Mas ainda te chamo.
Estamos distantes do mundo,
de todos aqueles sonhos.
Ficamos mudos.
Procuro um Norte,
vem,
me abraça bem forte!
Rascunho versos num papel amassado.
O vento sopra...
Sempre tem pressa!
Na memória,
o que restou da nossa história.
Não tenho mais você ao meu lado.
Não foi coincidência a gente ser feliz,
é tão lindo o nosso país!
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Maio de 1984
por ChicosBandRabiscando
Sementes cósmicas
Sementes Cósmicas
Por ChicosBandRabiscando
Somos unos com o Todo,
e o Todo em nós.
Não perdemos a voz.
O Universo transpira a nosso favor.
Embora estrelas se curvem ao poente,
a lei presente é o amor.
O Universo desperta...
Olha para si e se reconhece.
Mas não pensem que o Universo cria cópias.
O Universo é um oceano profundo onde cada ser é único.
A luz brilha eternamente;
estrelas não são decadentes.
Ao cair das horas,
o Universo chora por cada aurora;
perfuma-se em rosas,
desabrocha!
A energia cósmica transborda em sentimentos...
Lá fora,
Aqui dentro!
A substância a si mesma se transforma...
A pura essência se elabora,
evapora-se.
A cada ciclo, tudo continua vivo.
A árvore volta a ser semente.
Assim nos vemos nesse jardim.
Passos dados ao infinito,
o pulsar tem seu ritmo...
O que é eterno jamais perece.
Assim seguimos brilhando,
rabiscando o céu,
descortinando o véu...
louvando em uma só prece.
O Criador não nos esquece,
a sua essência sempre floresce...
O Universo vibra por cada nota,
pois o que vai sempre volta.
Nascemos sementes cósmicas,
dos versos escritos no silêncio,
no mais puro sentimento.
Essa é toda a verdade:
O amor se doa em liberdade.
De Gama, a Beta à Alfa...
O Universo respira sem saber de um fim.
As espirais se abrem;tudo se encaixa,
se cabe!
Mochileiro, siga firme nessa jornada.
Lembre-se: no vácuo não há vazio.
Você nunca está sozinho:
voe passarinho!
O Grande Relógio nunca para...
o que é eterno nos fala:
trocamos de casa,
não de alma!
Mochileiros das galáxias
Mochileiros das galáxias
Por ChicosBandRabiscando
O que você levaria na bagagem… para a próxima viagem?
Será que deixará saudade?
Talvez a gente seja muito mais do que imagina…
tipo mochileiros das galáxias, trocando de casa pela eternidade.
A vida é feita de ciclos, meu amigo.
Tudo na natureza funciona assim.
Mas me diz:
Será que vida e morte não fazem parte da mesma jornada?
E tudo o que aprendemos…
Será que foi em vão?
Ou fica guardado em nossa bagagem?
Se a vida fosse uma só…
a justiça divina seria um erro de cálculo.
Mas o universo não é arrítmico.
O cosmos funciona como uma matemática perfeita!
Nada fica em aberto.
Ninguém sai ileso,
mesmo que seja discreto.
Pois se a conta não fecha hoje…
o saldo segue para a próxima viagem.
O filósofo espiritualista Pietro Ubaldi dizia que o universo se move em espiral.
Como sementes, renascemos...
crescemos…
e nos abrimos para novas experiências da vida.
Entre erros e acertos, construímos as ferramentas da próxima existência.
A cada volta da espiral, subimos um nível.
A lei divina é exata, jamais falha.
Por cada estação, somos chamados a olhar para aquilo que carregamos.
Não é punição divina.
Somos os construtores do próprio destino.
A dor não vem para nos punir…
Vem para corrigir a rota.
Ao entender isso, deixamos a revolta.
Viajamos sobre dois trilhos que se cruzam:
a horizontal das experiências da matéria
e a vertical da Lei Eterna.
Num dado momentos, os pontos se convergem, nasce o despertar da consciência.
A cruz invisível que organiza a nossa existência.
Quando entendemos isso…
a bagagem começa a ficar mais leve.
E aí, mochileiro…
qual será o seu próximo destino?
Lembre-se: trocamos de corpo —
não de alma.
Então respire…
e vá com calma.
Ela, FlorBela
Ela, FlorBela
por ChicosBandRabiscando
Desperta o dia...
Tudo se move em estrofes,
os versos vão guiando os meus dedos.
Assim nasce este soneto.
Leve, ela me Espanca; minh'alma a escreve.
Sua poesia tem um quê de melancolia, e assim ela me bebe.
Não há enfastio, pois já não me sinto vazio!
Imerso na pureza, percebo sua beleza.
Tudo faz sentido.
Escrevo, porque já não duvido!
A pura essência quer apenas ser ouvida.
Mas que bela dama! Ao meu lado está Anina.
Sua boca vermelha me marca com gosto de cereja.
É ela: FlorBela, que me ama e me deseja!
sexta-feira, 10 de abril de 2026
A floresta sintética
A floresta sintética
por ChicosBandRabiscando
Parece que estamos comprimidos em caixinhas.
Ora isso,
ora aquilo…
Não é isso;
falta brilho,
poesia!
Como dói sentir essa letargia,
uma vida consumida e vazia...
O sistema nos tornou enlatados,
tão viciados.
Em telas de plasma,
vagam fantasmas,
verdadeiros miasmas,
numa dor que não passa.
Gritamos, mas não podemos ser ouvidos.
Tornamo-nos um produto a ser consumido;
isto é, até sermos esquecidos
Entupidos por tantas séries,
breves e infinitas,
assim como o dedo que corre pela tela.
O automatismo tornou-se um padrão.
Talvez já não haja outra opção.
A verdade é que nada mais nos fere.
Somos um cardume atraído por um falso brilho,
em rede, num longo exílio.
A alma chora por nossa queda…
Mas a floresta se ergue e nos fecha.
E no labirinto, procuramos alguma brecha.
A felicidade teme a liberdade.
O sistema edita a memória do mundo,
escreve uma nova Wikipédia,
os versos da nossa tragédia.
Na carne, o sangue que corre é sintético.
Onde estão as nossas vidas?
A saída?
O algoritmo segue num ritmo lógico,
mas o coração, não.
Anda cansado dessa ilusão,
clama pelo analógico.
E, nesse saudosismo,
choramos pelo Paraíso.
Tudo se tornou tão limpo,
pulsamos por circuitos.
O que mais faz sentido?
A arte
A arte
por ChicosBandRabiscando
A arte vem
para expor os paradoxos.
O que se oculta
aos olhos.
Pensar é representar,
é não omitir,
é não negar.
A arte é subversiva,
não contradiz a vida.
Rebelde,
ela se veste
e se traveste.
Se expressa no grafite.
É urbana.
Tem muitas escamas.
Jamais dorme
na mesma cama.
Tem fama de cigana.
A arte é rupestre.
É colorida,
abomina o cinza,
embora sinta,
não é triste.
A arte é carnívora,
nasceu para os vivos,
não os passivos.
Ela a assina,
se inflama,
não vive
em uma única ilha.
Nunca,
nunca termina...
A arte denuncia,
é como uma fotografia,
uma poesia.
A arte reflete,
não perece,
nem esquece.
A calçada
A calçada
por ChicosBandRabiscando
A calçada estava perfeitamente limpa,
sem vida.
O piso estava liso,
metricamente preciso.
A terra,
cimentada por camadas.
Não se tratava de adubo,
eram túmulos.
Estava bela aquela fachada,
sem nenhuma folha.
As árvores
não tiveram escolha.
Morreram caladas.
Os dias passaram…
O vento soprava lento.
Não havia mais movimento.
Do chão, nada mais brotava.
Apenas esquecimento.
Será que só eu estava vendo?







