Quer me acompanhar no Instagram.....

sábado, 1 de agosto de 2026

Sociedade 2.1

 


A nossa sociedade colhe os seus dissabores.

Onde estão nossos valores?

Conquistamos o mundo exterior,

 mas assim nos vemos... 

no topo da dor.


Tão viciados, nos tornamos dados.

Consumidos, não mais existimos.

Nos vemos empanturrados pelos excessos...

e o sofrimento expõe os nossos abscessos.


E como poderia ser diferente?

A sociedade está doente!


Negamos, batemos de frente com o nosso próprio ausente.

O pensamento crítico se curvou aos algoritmos.

O consumismo segue numa falsa premissa de realidade —

 vivemos o paroxismo.


Presos a uma cela, 

corremos o dedo sobre a tela... 

sem jamais encontrar a janela.


O sorriso oculta-se atrás da fachada.

Nenhum progresso foi capaz de curar as nossas chagas.

Cada ser caminha mudo dentro de si mesmo... perdido e sem endereço.


Já não sabemos mais quem somos!

Mais uma alma tomba sobre os próprios escombros.

E o tempo corre.... ninguém  mais se comove.

Essa é a nossa sentença: a indiferença.


Perdido em falsas crenças,

 o ser que pensa busca abrigo onde não há resiliência.

Na era do digital, o panóptico dita a nova moral.

Não temos mais forças para fazer escolhas; 

cada grupo vive preso à sua própria bolha.


E ainda olhamos o abismo com cinismo:

estamos à beira.

E, nesse dilema,  como um castigo,

grita a alma em perigo.


A pílula azul...

 ou a vermelha?


__________________

Sociedade 2.1

por ChicosBandRabiscando


Imagem: 

https://www.pexels.com/pt-br/foto/retrato-futurista-cyberpunk-de-ia-com-olhos-brilhantes-37911407/

Das árvores que cortamos

 



As árvores de Goiânia estão tendo insônia,

Tendo pesadelos com serras elétricas.

Há relatos de que algumas até dormem,

Mas não acordam.


A vida, para elas, virou tragédia.

Com medo, muitas fazem vigília.

Passam a noite ao relento,

Andam se assustando até com o vento.

Bastou falar em cimento...


As pobrezinhas já não têm escolha.

Um dia desses, 

passei por uma esquina

Onde ainda restavam algumas folhas.


Era um belo ipê amarelo.

Acreditem.

Foi tão triturado que virou farelo.

Parece que foi pela madrugada,

Pois ninguém pôde fazer nada.


É isso que eles chamam de progresso?

Realmente, é algo perverso.


Enquanto isso, as sibipirunas vão perdendo espaço,

Aos poucos, sumindo das ruas.

Dizem que eram mal-educadas,

Que só sujavam as calçadas.


Depois, alegaram que era para proteger a rede elétrica.

Essa é a crônica poética de uma tragédia anunciada.

A vida segue assim: cada vez mais sintética.

E assim vamos trocando as árvores pela aridez do asfalto.


A sede bate, queremos água,

cada vez mais rara.

Rara emporcalhada.


Mas que gente inteligente...

Que não faz nada!

__________________

Das árvores que cortamos

por ChicosBandRabiscando


Imagem:

https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-em-angulo-baixo-de-arvores-perto-de-edificios-de-concreto-sob-ceu-azul-13755701/

domingo, 21 de junho de 2026

O labirinto

 



Ouça aqui o  que eu digo,

tenho  tanta coisa escrita...


Sou limpo,

um mistério subversivo

perdido em algum livro.


Ficam em mim

estes motivos...


Você chega, me lê.

Porém, não me vê!


Não sabes decifrar meus signos,

minha pele não é sintética,

minha carne são arquétipos.


Não se encante com as pegadas do mofo,

achando que é ouro.

Por que foges do homem-touro?


A ilusão é um absinto

onde a alma grita,

mas não pode ser ouvida.


Tudo o que enxerga são as folhas caídas,

esse medo reprimido que não faz sentido.

Como um castigo, se congela ao vazio.


E quando andas,

não percebes os ladrilhos.


Se vê assim:

preso ao limbo,


retornas ao mesmo ponto,

vagando no meu labirinto...


Se não brilhas,

por que entras?

Não te falo a saída.


Porque, por mais que tentes,

poderás vagar para sempre...

Pois o pêndulo se volta contra o ventre.


Decida-se,

oh, alma caída!

Não se prendas às feridas,

são tantas vidas!


Um dia também fui eu,

mas Teseu nunca morreu.


Não te vejas perdido.

Caminhar pela verdade é ter coragem,

não sejas mais um covarde!

Encontre o fio de Ariadne,

não se prenda ao mito.


Ou então se tornará mais uma lenda.

Liberte-se, cativo,

tire a venda,

se permita.

Enxergue a saída!

_________________________

ChicosBandRabiscando

O labirinto

domingo, 7 de junho de 2026

Sintetizando a luz



 


Sintetizando a luz
por ChicosBandRabiscando

O mundo corre lá fora, pede pressa e atenção. 
Mais uma vez o metrô passou... 
Eu estava no primeiro vagão. 
Será que você me notou?

Os catálogos mudam como as estações, 
nem sempre temos opção.
 Um bom coração também pode ser traído pela ilusão.

O vazio risca os trilhos em busca de carinho.
 No meu bolso, só levo um refrão. 
Porém, não... 
sei descer pelo corrimão...

Por cada estação, Os ponteiros vão girando, 
são tantos destinos passando...
 Aos bandos, se movendo como peões.

Sou apenas mais um vulto na multidão. 
De repente você passa sintetizando a luz... 
Eu sigo firme ouvindo um blues.

Baby, vai com calma. 
O coração só precisa de uma alma. 
Olhe pra mim, ainda estou aqui.

Poderia te recitar um poema, 
Depois, quem sabe, o cinema... 
Comer pipocas, falar dos nossos dilemas.

Se não souber cantar, 
não precisa chorar.
O amor pode chegar sem avisar... 
E a gente não se encontrar.


Maio de 1984


O vento não fala só de movimento,

também sussurra saudade...

Será que você ainda me vê?


Era 1984, a gente atropelava os fatos.

Era como se o fim já estivesse escrito,

bem ao nosso ritmo!


Não era pureza,

e ainda assim tínhamos quase todas as certezas,

Não eramos covardes:

Fazíamos parte do verde da natureza.


Os olhos colados na TV,

o filme rolava na Sessão da Tarde.

Lá fora, o vento varria folhas de outono,

chegava sem pedir licença.

Mas a gente já não batia continência.


Era um jeans  azul, o All Star,

o cinema ou algum show de rock.

Éramos tão jovens!

Cabíamos em qualquer lugar...

Respirávamos liberdade.


Encontrei no fundo de uma gaveta,

um canhoto de cinema,

estava colado a um poema,

reconheci sua letra.


Fui à esquina à procura do velho orelhão,

queria tanto te ligar!

Mas que bobagem!


A saudade ainda escapa pelas frestas...

É o que resta.


Cruzamos o século, um tanto melancólico,

o digital não preenche o nosso estado analógico.


Não vejo mais teus olhos castanhos.

Mas ainda te chamo.


Estamos distantes do mundo,

de todos aqueles sonhos.

Ficamos mudos.


Procuro um Norte,

vem, 

me abraça bem forte!


Rascunho versos num papel amassado.

O vento sopra...

Sempre tem pressa!


Na memória,

o que restou da nossa história.


Não tenho mais você ao meu lado.

Não foi coincidência a gente ser feliz,

é tão lindo o nosso país!


________________

Maio de 1984

por ChicosBandRabiscando 

Sementes cósmicas


Sementes Cósmicas

Por ChicosBandRabiscando


Somos unos com o Todo,

e o Todo em nós.

Não perdemos a voz.


O Universo transpira a nosso favor.

Embora estrelas se curvem ao poente,

a lei presente é o amor.


O Universo desperta...

Olha para si e se reconhece.

Mas não pensem que o Universo cria cópias.


O Universo é um oceano profundo onde cada ser é único.

A luz brilha eternamente;

estrelas não são decadentes.


Ao cair das horas,

o Universo chora por cada aurora;

perfuma-se em rosas,

desabrocha!


A energia cósmica transborda em sentimentos...

Lá fora,

Aqui dentro!

A substância a si mesma se transforma...

A pura essência se elabora,

evapora-se.


A cada ciclo, tudo continua vivo.

A árvore volta a ser semente.

Assim nos vemos nesse jardim.


Passos dados ao infinito,

o pulsar tem seu ritmo...

O que é eterno jamais perece.


Assim seguimos brilhando,

rabiscando o céu,

descortinando o véu...

louvando em uma só prece.


O Criador não nos esquece,

a sua essência sempre floresce...

O Universo vibra por cada nota,

pois o que vai sempre volta.


Nascemos sementes cósmicas,

dos versos escritos no silêncio,

no mais puro sentimento.

Essa é toda a verdade:

O amor se doa em liberdade.


De Gama, a Beta à Alfa...

O Universo respira sem saber de um fim.

As espirais se abrem;tudo se encaixa,

se cabe!


Mochileiro, siga firme nessa jornada.

Lembre-se: no vácuo não há vazio.

Você nunca está sozinho:

voe passarinho!


O Grande Relógio nunca para...

o que é eterno nos fala:

trocamos de casa,

não de alma!

Mochileiros das galáxias



Mochileiros das galáxias 

Por ChicosBandRabiscando


O que você levaria na bagagem… para a próxima viagem?

Será que deixará saudade?

Talvez a gente seja muito mais do que imagina…

tipo mochileiros das galáxias, trocando de casa pela eternidade.

A vida é feita de ciclos, meu amigo.

Tudo na natureza funciona assim.

Mas me diz:

Será que vida e morte não fazem parte da mesma jornada?

E tudo o que aprendemos…

Será que foi em vão?

Ou fica guardado em nossa bagagem?

Se a vida fosse uma só…

a justiça divina seria um erro de cálculo.

Mas o universo não é arrítmico.

O cosmos funciona como uma matemática perfeita!

Nada fica em aberto.

Ninguém sai ileso,

mesmo que seja discreto.

Pois se a conta não fecha hoje…

o saldo segue para a próxima viagem.

O filósofo espiritualista Pietro Ubaldi dizia que o universo se move em espiral.

Como sementes, renascemos...

crescemos…

e nos abrimos para novas experiências da vida.

Entre erros e acertos, construímos as ferramentas da próxima existência.

A cada volta da espiral, subimos um nível.

A lei divina é exata, jamais falha.

Por cada estação, somos chamados a olhar para aquilo que carregamos.

Não é punição divina.

Somos os construtores do próprio destino.

A dor não vem para nos punir…

Vem para corrigir a rota.

Ao entender isso, deixamos a revolta.

Viajamos sobre dois trilhos que se cruzam:

a horizontal das experiências da matéria

e a vertical da Lei Eterna.

Num dado momentos, os pontos se convergem,  nasce o despertar da consciência.

A cruz invisível que organiza a nossa existência.

Quando entendemos isso…

a bagagem começa a ficar mais leve.

E aí, mochileiro…

qual será o seu próximo destino?

Lembre-se: trocamos de corpo —

não de alma.

Então respire…

e vá com calma.

Ela, FlorBela

 



Ela, FlorBela

por ChicosBandRabiscando


Desperta o dia...

Tudo se move em estrofes,

os versos vão guiando os meus dedos.

Assim nasce este soneto.


Leve, ela me Espanca; minh'alma a escreve.

Sua poesia tem um quê de melancolia, e assim ela me bebe.

Não há enfastio, pois já não me sinto vazio!

Imerso na pureza, percebo sua beleza.


Tudo faz sentido.

Escrevo, porque já não duvido!

A pura essência quer apenas ser ouvida.


Mas que bela dama! Ao meu lado está Anina.

Sua boca vermelha me marca com gosto de cereja.

É ela: FlorBela, que me ama e me deseja!