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domingo, 29 de março de 2026

Césio-137

 



Césio-137:

O césio do descaso,

do mal que se propagou como peste;

um brilho radioativo,

um fascínio de perigo

na dor dos que foram esquecidos.


O césio da morte,

daqueles que não tiveram sorte.

Como pode?

Nos escombros, a cápsula maldita!

Deixada ali, ao descaso...


O perigo estava a um passo,

triste dança macabra,

do centro aos bairros.

Permeou as entranhas da jovem Goiânia,

de um povo que foi isolado, 

marcado por uma chaga.


Quem és tu, ó nação?

Por que foi tanta a discriminação?

Na carne, aquela ferida

levada como um estigma.

Faltava chão ao coração;

sorte ou não,

nenhuma delas teve opção!


Nas telas, a arte traz a reflexão:

das almas que foram atingidas.

Contaminadas  e condenadas,

assim foram enterradas,

lacradas pelo chumbo e pelo cimento,

fadadas ao esquecimento.


O aterro é o símbolo do nosso desmazelo,

é o nosso próprio espelho:

de uma mãe que chorava por sua filha,

de uma multidão sem empatia,

travestida em fobia.


Abadia de Goiás

não descansa em paz.

Por cada jornal,

a capital foi vista como um mal...


No estádio, as filas, o contador Geiger;

o terror estampado em cada face.

Foi um tempo em que tentaram apagar o nosso futuro.


Maldita radiação!

Uma dor de Chernobyl,

uma dor no coração do Brasil.


Porém, não.

A contaminação não nos venceu:

do verde, a cidade novamente floresceu...

E desse Cerrado tão violado, 

Goiânia renasceu,

não morreu!.


Mas as vítimas ainda gritam:

pedem para não serem  esquecidas.

Esses versos não podem ser malditos,

pois clamam pela vida;

a poesia vem para curar as feridas.


Não chore, olhinhos tristes...

eu sei: tiraram de você até sua boneca,

vítima daquela tragédia.


Menina, tua alma vive, resiste!

Por ti, os anjos fazem preces:

teu nome Deus não esquece.

Essa dor você não merece.


E assim, Ele escreve:

Leide das Neves.

Eterna flor-primavera,

 jamais será breve.

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Césio-137

por ChicosBandRabiscando