A floresta sintética
por ChicosBandRabiscando
Parece que estamos comprimidos em caixinhas.
Ora isso,
ora aquilo…
Não é isso;
falta brilho,
poesia!
Como dói sentir essa letargia,
uma vida consumida e vazia...
O sistema nos tornou enlatados,
tão viciados.
Em telas de plasma,
vagam fantasmas,
verdadeiros miasmas,
numa dor que não passa.
Gritamos, mas não podemos ser ouvidos.
Tornamo-nos um produto a ser consumido;
isto é, até sermos esquecidos
Entupidos por tantas séries,
breves e infinitas,
assim como o dedo que corre pela tela.
O automatismo tornou-se um padrão.
Talvez já não haja outra opção.
A verdade é que nada mais nos fere.
Somos um cardume atraído por um falso brilho,
em rede, num longo exílio.
A alma chora por nossa queda…
Mas a floresta se ergue e nos fecha.
E no labirinto, procuramos alguma brecha.
A felicidade teme a liberdade.
O sistema edita a memória do mundo,
escreve uma nova Wikipédia,
os versos da nossa tragédia.
Na carne, o sangue que corre é sintético.
Onde estão as nossas vidas?
A saída?
O algoritmo segue num ritmo lógico,
mas o coração, não.
Anda cansado dessa ilusão,
clama pelo analógico.
E, nesse saudosismo,
choramos pelo Paraíso.
Tudo se tornou tão limpo,
pulsamos por circuitos.
O que mais faz sentido?

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mensagens a ChicosBandRabiscando