O vento não fala só de movimento,
também sussurra saudade...
Será que você ainda me vê?
Era 1984, a gente atropelava os fatos.
Era como se o fim já estivesse escrito,
bem ao nosso ritmo!
Não era pureza,
e ainda assim tínhamos quase todas as certezas,
Não eramos covardes:
Fazíamos parte do verde da natureza.
Os olhos colados na TV,
o filme rolava na Sessão da Tarde.
Lá fora, o vento varria folhas de outono,
chegava sem pedir licença.
Mas a gente já não batia continência.
Era um jeans azul, o All Star,
o cinema ou algum show de rock.
Éramos tão jovens!
Cabíamos em qualquer lugar...
Respirávamos liberdade.
Encontrei no fundo de uma gaveta,
um canhoto de cinema,
estava colado a um poema,
reconheci sua letra.
Fui à esquina à procura do velho orelhão,
queria tanto te ligar!
Mas que bobagem!
A saudade ainda escapa pelas frestas...
É o que resta.
Cruzamos o século, um tanto melancólico,
o digital não preenche o nosso estado analógico.
Não vejo mais teus olhos castanhos.
Mas ainda te chamo.
Estamos distantes do mundo,
de todos aqueles sonhos.
Ficamos mudos.
Procuro um Norte,
vem,
me abraça bem forte!
Rascunho versos num papel amassado.
O vento sopra...
Sempre tem pressa!
Na memória,
o que restou da nossa história.
Não tenho mais você ao meu lado.
Não foi coincidência a gente ser feliz,
é tão lindo o nosso país!
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Maio de 1984
por ChicosBandRabiscando

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