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domingo, 23 de agosto de 2026

O Paraíso perdido


Sob a luz do farol,


Cai a tarde.

Eu vejo as cores do Sol.

Minha alma é essa saudade

Que se entrega e me leva.


Cada pessoa que passa por mim

Não sabe o que eu já senti.

Eu sou assim.


No alto, vejo as caravelas,

tão paralelas,

Minha alma são elas.


Navego por descobertas.

Ninguém pode sentir minha paz.

Para além do cais,

Eu busco sempre mais...


No tempo, em outra época,

São tantas eras...

Meus pés estão no convés.

Meu peito assim se confessa.


Eu penso sempre mais...


Do alto desse Mirante,

Avisto outras terras.

Distante, um viajante,

Águas que me levam.


Esse sonho não morreu,

ao leme, sou eu.


Assim me vejo,

No Tejo,

Desse desejo

Que não esqueço.


Velejo ao mais distante...

No mar distante!

Meu cântico é meu abrigo.


Navegar  é preciso.


Ao vento, 

à liberdade..


Ao fim de tarde,

no fim de tarde.


Sigo as gaivotas,

pois sempre voltam.

Encontrei meu destino,

o meu caminho!


Procuro meu verdadeiro nome,

para além desses montes,

nas ilhas que me respondem.

E assim minha alma navega.


Ao que me eleva,

ao que me eleva.

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O Paraíso perdido

por ChicosBandRabiscando

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O voo das borboletas


 

O voo das borboletas

por ChicosBandRabiscando


Das coisas que ficaram aqui dentro,

do mar... da brisa,

desses sentimentos,

o que restou foram memórias ao vento.

Pois todo homem tem seu novembro.


Havia tantas flores naquele jardim,

e ela estava ali,

à margem, uma tímida flor selvagem,

de alma sentida, em pétalas tão vivas.


E pelos campos ela corria,

tão pequenina, não cabia em si.

Era a mais bela das poesias.

Ao fim da tarde, se declamava a liberdade.


Foi assim que olhou para mim,

não era cópia, tinha forma, era uma flor exótica,

uma verdadeira primavera dos povos.

Vi-me fisgado por aqueles olhos.


Arrisco a dizer que era muito mais que físico,

brotava do espírito.

Com ela, meus versos buscavam o infinito.


E no êxtase daquele prazer,

sentia uma sede enorme por viver!

E assim eu escrevia na harmonia do seu ritmo,

mas nada ficou escrito.


Não pensem que exponho meus lamentos,

pois fiquem sabendo,

o amor não quebra seus juramentos,

não destoa, simplesmente ecoa...


E assim ele nos chega e nos beija.

Entre chegadas e partidas,

marca as nossas vidas com sua premissa.


Mas não tentem reter o amor,

nem sofrer pela dor.

Porque o amor é livre como as borboletas,

que ensaiam seus voos pelos campos.


O amor a si mesmo se aceita,

não dita nenhuma receita.

Se entrega sem sem prender alguma letra


E antes que eu me esqueça, que o vosso amor também floresça.



Imagem:https://www.pexels.com/photo/woman-in-white-dress-on-a-meadow-10213894/

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Os Super-Humanos




Os Super-Humanos 

por ChicosBandRabiscando


Os gênios nunca foram pequenos,

embora tratados como neuróticos.

Tão invisíveis aos olhos,

mas não pensem que sejam micróbios.

Pois amam profundamente o que fazem,

ainda que mal compreendidos.

Estão para além da capa dos livros:

São professores, pensadores , santos ou artistas.

Não são previsíveis,

de almas sensíveis,

não há quem os explique.

Não se gabam de ser populistas.

Não é questão de vaidade ou inteligência,

porque eles já vibram em outra frequência.

Razão, intuição, coração...

Eles sentem profundamente,

vivem para além das aparências.

Nesses versos eu afirmo:

São humildes como um São um Francisco.

Vivem sós em seu exílio,

doam do seu próprio brilho.

Insaciáveis, não cabem em si,

Pagam o preço do existir.

A sua fé é a própria fome

que busca o nome.

E no seu cântico, amam o infinito.

Os gênios são lírios,

Sementes do super-homem.

Eles se agitam, se  comunicam,

São a própria força da vida.

Assim, falam a linguagem dos anjos,

que ouvem suas dores e desencantos.

Pelos campos, semeiam-se em liberdade,

renascem em flores selvagens.

Amando a verdade, como um Pietro Ubaldi,

entregam-se até a última frase...

Quem dera se a humanidade os amasse.

sábado, 1 de agosto de 2026

Sociedade 2.1

 


A nossa sociedade colhe os seus dissabores.

Onde estão nossos valores?

Conquistamos o mundo exterior,

 mas assim nos vemos... 

no topo da dor.


Tão viciados, nos tornamos dados.

Consumidos, não mais existimos.

Nos vemos empanturrados pelos excessos...

e o sofrimento expõe os nossos abscessos.


E como poderia ser diferente?

A sociedade está doente!


Negamos, batemos de frente com o nosso próprio ausente.

O pensamento crítico se curvou aos algoritmos.

O consumismo segue numa falsa premissa de realidade —

 vivemos o paroxismo.


Presos a uma cela, 

corremos o dedo sobre a tela... 

sem jamais encontrar a janela.


O sorriso oculta-se atrás da fachada.

Nenhum progresso foi capaz de curar as nossas chagas.

Cada ser caminha mudo dentro de si mesmo... perdido e sem endereço.


Já não sabemos mais quem somos!

Mais uma alma tomba sobre os próprios escombros.

E o tempo corre.... ninguém  mais se comove.

Essa é a nossa sentença: a indiferença.


Perdido em falsas crenças,

 o ser que pensa busca abrigo onde não há resiliência.

Na era do digital, o panóptico dita a nova moral.

Não temos mais forças para fazer escolhas; 

cada grupo vive preso à sua própria bolha.


E ainda olhamos o abismo com cinismo:

estamos à beira.

E, nesse dilema,  como um castigo,

grita a alma em perigo.


A pílula azul...

 ou a vermelha?


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Sociedade 2.1

por ChicosBandRabiscando


Imagem: 

https://www.pexels.com/pt-br/foto/retrato-futurista-cyberpunk-de-ia-com-olhos-brilhantes-37911407/

Das árvores que cortamos

 



As árvores de Goiânia estão tendo insônia,

Tendo pesadelos com serras elétricas.

Há relatos de que algumas até dormem,

Mas não acordam.


A vida, para elas, virou tragédia.

Com medo, muitas fazem vigília.

Passam a noite ao relento,

Andam se assustando até com o vento.

Bastou falar em cimento...


As pobrezinhas já não têm escolha.

Um dia desses, 

passei por uma esquina

Onde ainda restavam algumas folhas.


Era um belo ipê amarelo.

Acreditem.

Foi tão triturado que virou farelo.

Parece que foi pela madrugada,

Pois ninguém pôde fazer nada.


É isso que eles chamam de progresso?

Realmente, é algo perverso.


Enquanto isso, as sibipirunas vão perdendo espaço,

Aos poucos, sumindo das ruas.

Dizem que eram mal-educadas,

Que só sujavam as calçadas.


Depois, alegaram que era para proteger a rede elétrica.

Essa é a crônica poética de uma tragédia anunciada.

A vida segue assim: cada vez mais sintética.

E assim vamos trocando as árvores pela aridez do asfalto.


A sede bate, queremos água,

cada vez mais rara.

Rara emporcalhada.


Mas que gente inteligente...

Que não faz nada!

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Das árvores que cortamos

por ChicosBandRabiscando


Imagem:

https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-em-angulo-baixo-de-arvores-perto-de-edificios-de-concreto-sob-ceu-azul-13755701/