As árvores de Goiânia estão tendo insônia,
Tendo pesadelos com serras elétricas.
Há relatos de que algumas até dormem,
Mas não acordam.
A vida, para elas, virou tragédia.
Com medo, muitas fazem vigília.
Passam a noite ao relento,
Andam se assustando até com o vento.
Bastou falar em cimento...
As pobrezinhas já não têm escolha.
Um dia desses,
passei por uma esquina
Onde ainda restavam algumas folhas.
Era um belo ipê amarelo.
Acreditem.
Foi tão triturado que virou farelo.
Parece que foi pela madrugada,
Pois ninguém pôde fazer nada.
É isso que eles chamam de progresso?
Realmente, é algo perverso.
Enquanto isso, as sibipirunas vão perdendo espaço,
Aos poucos, sumindo das ruas.
Dizem que eram mal-educadas,
Que só sujavam as calçadas.
Depois, alegaram que era para proteger a rede elétrica.
Essa é a crônica poética de uma tragédia anunciada.
A vida segue assim: cada vez mais sintética.
E assim vamos trocando as árvores pela aridez do asfalto.
A sede bate, queremos água,
cada vez mais rara.
Rara emporcalhada.
Mas que gente inteligente...
Que não faz nada!
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Das árvores que cortamos
por ChicosBandRabiscando
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