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segunda-feira, 28 de março de 2022

Os muros da rosa de Berlim

 


A (Nova Canaã) chegará amanhã.

Assim pregam os burocratas das fachadas.

Planejam um "(Novo Paraíso)" na Terra.

São as  promessas de uma "(Nova Era)".

Suas sementes  brotam no solo das revoltas...

 

O cadafalso esta a um passo...

Não há mais volta, até breve!...

Ironiza a devassa (Guilhotina) a Robespierre.

A (Potestade) quebrou o pote da maldade.

Não senhor, não quero um (Salvador)!

 

Ainda  ontem eles massacraram mais uma flor.

Dispararam teleguiados com os seus cajados.

Dizem que foi tudo em nome do "amor".

Eram saudosas e belas aquelas primaveras! 

Por favor, apaguem essas trevas!


Sanguinários idiotas calçando botas em viço às portas.

O (Senhor dos Exércitos) é um deserto sempre por perto.

Tão cegos, perderam o seu coração em mais uma revolução. 

A morte é um (Dragão) vomitando bombas sobre os pombos.

A Tempestade deixou em escombros a nação, por favor, não!


A língua da "(Serpente)" discursa por todas as mídias...

O chão ela risca, no ninho desova os ovos  da desolação.

Ao mastro pode se ver a sua flâmula, ela é a "(Miss Insana)"! 

Exausto, o seu amante dá um último suspiro sobre a cama.

Bom dia, (Vietnã)! 

 

A meia-noite, falou a (Mãe Rússia).

Pela manhã, discursou o (Tio San).

Todos eles nos acusam, manipulam!

Sem prumo, só há um caminho, o casulo!

Perdemos a fé no futuro!

 

Ante o impasse, quem dera se nos amassem!

Quem destronará os novos reis?

Não sei!

Ninguém se atreve mais a escrever uma boa frase. 

A (Roleta) gira descendo veloz a (Montanha-russa)...

Todos se acusam!


O que toma um ditador no seu café da manhã?

O que ele confessa  a sós deitado sobre o divã? 

Quais os versículos  (recita) das velhas cantigas? 

Por que cabeças tendem a rolar quando se põe a orar?

Ocidente e Oriente não são assim tão diferentes!

 

Se tem algo a dizer, a "verdade" virá contra você.

Ante o céu, a abjeta (Babel) cunhou outro alfabeto.

Esquerda e Direita disputam quem cercará  Berlim.

Assim, nos erguem a recompor o fresco "(Concreto)".

A "(Rosa de Hiroshima)" filiou os seus novos "adeptos".


 Estranhos seres das cavernas.

Um dia, ali chegaram com as suas caravelas.

Desceram, puseram-se de joelhos. 

Ficaram a cruz, juravam trazer a luz.

Rezaram em estranhas línguas ibéricas!

 

Daquelas bocas gotejava a pólvora....

Daquelas mãos já havia a  nódoa! 

Logo  o sangue jorrou sob a terra...

E com eles, travaram  guerras!

Nenhum deles era bem-vindo!

 

Sorrindo, declaram seus verso malditos...

Porque semearam o inferno nos trópicos.

Os seus rios correram em vermelho...

A (Cruz invertida)era o poder das espadas.

A nova terra fora "descoberta","inventaram a (América).

 

Tupiniquins, te trago (Berlim), olhem para mim!

Viemos de longe  nestas naus... 

Convertam-se, somos-te o terror e o medo! 

Sou-te (Pedro),  o (Fidalgo Cabral).

Demarcamos o mundo, somos "os donos de tudo"!


Povos rendidos, vendidos e corrompidos. 

A (Grande Aldeia) viera sugar as suas veias...

Eles viram suas próprias lágrimas no espelho!

O (Grande Sol) se abrira num (Girassol distópico).

O  (Paraíso) chegava ao fim!

 

Novamente (reerguem) os tijolos...

São tempos vazios permeado de incertezas?  

A linguagem da (Poesia) vive os seus dias de letargia...

Em profunda melancolia, a (Nix) rege sua fúnebre sinfonia..

Ainda que a (Fortuna) gire, as lágrimas vencem os olhos!


Na cobiça do ouro de aluvião, (César) cruzou o (Rubicão)...

A ganância é um ladrão que vem roubar o nosso sono.

Na (Guerra dos Tronos), todos somos!

Ave (César)! Até tu, Brutus, por que me feres em traição?

Veja, além do arco-íris existe um eclipse, o( Apocalipse)!

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Autor: ChicosBandRabiscando

 

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 <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Edvard_Munch_-_The_Scream_-_Google_Art_Project.jpg">Edvard Munch</a>, Public domain, via Wikimedia Commons

 


 




 




 


 


 

domingo, 27 de março de 2022

Viagem alfabética

 

Dialogo mais com os meus livros 

do que com os "vivos".

 

Pelas páginas de bons livros eu já

fiz tantos amigos....

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Autor: ChicosBandRabiscando

 

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As sementes

 


O excesso de pensamento 

cimenta o mundo.

 

A sua ausência, 

o afunda! 

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Autor: ChicosBandRabiscando 

 

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sábado, 5 de março de 2022

Luzes da ribalta


Louco,

gênio,

um doido varrido!...


Por mais que seja aplaudido,

nenhum artista será compreendido (?)

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Autor: ChicosBandRabiscando

Luzes da ribalta


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Hipnos



A luz se seduz...

A dor não aquece.

O prazer só entorpece!


Ante a vida, 

as redes criam teias,

conectam às veias... 

 

Hipnos ainda adverte:

Será um caminho sem volta.

Só poderão escolher uma porta!

 

Façam os teus últimos desejos,

pois, à mesa, a maldade também ceia.

Mais uma vez o Cordeiro será traído com um beijo.

 

Pílula Azul ou Vermelha? 

Nos campanários os sinos dobram...

É chegada a última hora!

 

Ante às provas,

choram os que já não se demoram! 

Sejam fortes, orem, para que a  alma suporte!

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Autor: ChicosBandRabiscando

Hipnos


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terça-feira, 1 de março de 2022

Logos


Sou rapa do tacho do pó dos astros.

Sou um ser humano, aqui me acho!

 

Moldado a jarro, num chão de barro.

Um dia fui anjo decaído à  pássaro.


Levantei-me em prótons sob a terra.

Renasci dos dentes das sementes...


Fui girassol oferecido às primaveras.

Já estive no Jardim por outras eras!...

 

A vida que se renova é um sopro.

Tão logo morro, visto outro corpo!

 

O novo é sempre o que me espera...

Assim, viajo para as outras esferas...

 

Porque sou poema do verdadeiro Mito.

Uma nota ecoada daquele primeiro grito...


Poderiam me chamar de alma;

talvez luz, ou apenas, espírito.

 

Todas as portas rimam o infinito...

Pouco importa, religioso ou ateu.

 

Todos somos o que ele escreveu,

Deus!


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Autor: ChicosBandRabiscando

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Mofo( em vídeo)

 


 

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sábado, 26 de fevereiro de 2022

Cora e curau



CORA E CURAU

por ChicosBandRabiscando


Fui serrado pelos dentes ressecados do Cerrado.

Pisoteado pelo estouro do gado que invadiu o asfalto.

Vejam só o meu estado...

Tudo errado,

Chega, não quero mais!


Peguei as malas e tranquei a casa.

Parei na Villa Boa de Goyaz,

Queria paz.


O vento trazia do campo um aroma de ervas.

Caminhei por aquelas ruas de pedras...

Ela estava à janela — mas que vozinha tão bela!

Convidou-me a adentrar o seu humilde lar.

Era a Casa Velha da Ponte da Lapa,

É onde ela morava.


Sentei-me à mesa da sua gentileza —

Mas que doce senhora!

Comi curau com Cora,

Noutra hora, me serviu arroz com pequi.

Logo ela viu que eu não era dali:


— Meu jovem rapaz, por que chora?

— Não se acanhe, puxe um banco.

— Assenta-te aqui, próximo de mim.

— Consegue ver a velha Ponte da Lapa?

— Pois então, ali passa mais do que água.

— O Rio Vermelho é um espelho em que me vejo.

Por ele flui a mais pura poesia...


Aquilo era algo que eu não sabia.

Fiquei ali, ouvindo os causos que a vozinha me contava.

Os olhos dela brilhavam no mais puro gesto.

Cora me deu um copo daquela água onde correm os seus versos...

Ela jurou que eu não teria mais sede nos meus dias.


— Vai-te agora, jovem moço. Vai falar com o povo.


Agradeci, beijei sua fronte e segui.

Ao longe, me atrevi: ainda olhei para trás.

Lá estava a Casa Velha da Ponte, bem abaixo do monte.

Com a boca adocicada por amoras, entrei no carro e fui-me embora...


Cheguei em casa, revi os dentes do serrote do Cerrado —

Além de molhados, como sempre, estavam enferrujados.

Mas algo em mim havia mudado.

Por Deus, eu estava abençoado!


Rabisquei nos muros da cidade versos da minha felicidade.

Fora benzido pela poesia de Cora Coralina, a nossa Aninha!

E já não tinha mais medo de mau-olhado.


À tarde, tive que ir ao mercado,

Desci à Avenida Anhanguera.

Me vi espantado — à minha frente, o Diabo Velho!

Embora estivesse de chinelos,

Temi, mas não corri.


Lembrei do que a Aninha me dizia.

E, na magia...

Recitei mais uma das suas poesias.

Orei com fé, pra ela, acendi uma vela.

Eu sei que Cora estava à janela.

Logo, meu coração sorriu —

Da minha frente, aquele velho diabo sumiu.