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quinta-feira, 23 de junho de 2022

PROJETO PARAÍSO/ PARTE VI(CONTO)

 

Após cumprida a grande missão, como seria? Entendeu que perderia de vez a sua "capa de  invisibilidade". No entanto, salvaria a humanidade. O "mártir deveria se "imolar" pela redenção de todos". Isso o consolava?   

    Quanto aos cientistas? _ Continuou refletindo...Provavelmente passaria por vários exames e testes sendo tratado como um "rato de laboratório".  Ansioso por natureza, Adão analisava os fatos a priori. Isso o deixou mais angustiando ainda. Tentei em vão perscrutar um pouco mais a sua mente neste ponto, contudo, não me deu tal abertura

      A jornada de um possível herói chegava ao seu ponto crucial. Adão sentiu o ar diferente, estava pesado, impregnado pelo cheiro de madeira queimada. Caminhou mais alguns metros e parou. Várias árvores destroçadas, outras, queimadas formando uma grande clareira.

    Voltando um pouco tempo, uma pista falsa e bilhões de mortos:

    A pandemia conduzira os cientistas a pistas equivocadas sobre a origem do epicentro e sua possível causa. Investigações coordenadas pela Organização Mundial da Saúde apontavam  como marco zero o sistema de metrô ligando Paris a Londres. Sem muitas surpresas, o hospedeiro seriam os roedores que ali vivem.

    Foi uma luta contra o tempo para salvar o máximo de vidas. No prazo de nove meses os primeiros testes de uma vacina era testada em ratos e macacos. Os resultados foram promissores. Médicos e enfermeiros se voluntariaram para testes em humanos. Todo processo levara  um ano, estava pronto o imunizante.

    Ainda que alguns cientistas de outras nações tenham cooperado na criação da vacina, Estados Unidos e Europa tiveram exclusividade na primeira leva. Protestos já eram esperados, e ocorreram violentamente semeando o caos por muitos países.

    Ativistas foram às ruas desafiando a contaminação pedindo a quebra da patente do imunizante. A causa era de ordem sanitária mundial, logo, não deveria se pautar por interesses econômicos, políticos ou de supremacia de alguma cultura em relação as outras. 

(Segue...)

Autor: ChicosBandRabiscando

 

quarta-feira, 22 de junho de 2022

PROJETO PARAÍSO / PARTE V (CONTO)

 


_Entendemos a sua situação, professor, falta pouco para que chegue ao local. Aguente firme.

_Continuaremos monitorando os seus passos em tempo real. Não tem escolhas, sabe disso.

    Uma observação, a face do professor não escondia de forma nenhuma  o seu descontentamento com as colocações do presidente. Realmente  não tinha escolha, visto que somente ele poderia chegar ao epicentro da pandemia. Presente e futuro da humanidade estavam em suas mãos.

     _ Ainda que não acredite em Deus, professor, _Diz o presidente_ que ele o guie. Aqui termino a nossa comunicação._Adão  acena fazendo ok com o polegar.

    Leitores(as), nos inteiramos  agora das particularidades da missão do professor,contudo, ainda existem lacunas a se preencher. Podem até se arriscar levantando novas conjecturas. Todavia, nos faltam alguns elementos para o desfecho da trama aqui narrada.

Sigamos  então com os fatos...

    Passava das cinco da manhã, as pálpebras do professor estavam pesadas. Ao abrir a boca bocejava vapores de ar quente denunciando o frio da madrugada. Volta e meia, olhava para cima atestando a presença inoportuna do drone o seguindo.

    Adão era visto em tempo real, todos os povos acompanhavam a sua jornada com  grande expectativa. Não havia mais nada a se esconder, restava torcer para o sucesso da sua missão dando fim a pandemia.

    Ah! Se soubessem da sua aversão a exposição gratuita, não fariam daquela forma. Pois, Adão  nutria um ódio terrível a qualquer tipo de "reality Show". Para ele se expor ao olhar mecânico de um câmera era algo baixo, torpe, desprezível sobre todos os aspectos.  Por circunstâncias casuais, ele se tornara a maior audiências de todos os tempos. 

    Mas, para Adão a sua filosofia de vida deveria estar sempre à frente de qualquer interesse. Não foi difícil ver como o professor se sentia um animal exótico exposto sem  escolha naquela savana. Adão mais uma vez amaldiçoou o destino por isso.

(Continua...)

 

Autor: ChicosBandRabiscando

terça-feira, 21 de junho de 2022

PROJETO PARAÍSO/ PARTE IV(CONTO)

 


 _Minha mãe; ah, minha mãe! Sempre teve pena de mim. Odiava aquele olhar de compaixão dela quando chegava em casa chorando. 

_Ela já sabia que eu tinha apanhado mais uma vez na escola, e  sempre pelo mesmo motivo. Não sei se ela queria ter um filho tão diferente?

_Até meu irmão curtia comigo. Se deu bem; casou-se com uma mulher linda, fez família. Nem precisou de um doutorado para provar nada para ninguém. Será que ainda esta vivo? Espero que sim!

_Mas que tolice! Quem resistiria por muito tempo a esta praga? A não ser eles, os "pica grande".  "Os ratos são os primeiros a abandonar o navio".

_Covardes de merda! O mundo não é justo com os mais frágeis. Nunca foi!

_Não quero carregar todos em minhas contas". Eu? O "diferentão" Ah, se soubessem o quanto sinto este peso!

_D. Quixote não passou de um tolo sonhador a combater moinhos de vento. 

_Tenho vergonha de lembrar que  um dia também fui um sonhador. 

_Por que fez isto comigo, destino?

_Só corrobora para provar que sou  mesmo uma aberração da natureza. 

_Trocaria  todo meu QI por ser aceito. Mas, não consigo "respirar na mesma bolha".

    Um sinal pulsa em sua pulseira. Adão recobra o seu estado de vigília.  O drone em forma de esfera se aproxima projetando a imagem holográfica  de um homem. É iniciado um diálogo:

 _Professor, não temos muito tempo, o quadro esta pior, logo será irreversível._Era o presidente do Brasil.

_O governo estadunidense apela  que conclua a sua missão o quanto antes. O número de mortos não para, o mundo esta um caos! Não sabemos mais o que fazer.

_Compreendo a situação, senhor presidente_ Entenda, não sou um atleta, estou dando o melhor de mim. 

_Não entendo, por que não treinaram um militar para esta missão?

_Professor, professor..! Não quero ser repetitivo, _Se exalta  o presidente. 

_Não existe outro ser humano a não ser você que possa enfrentar este vírus de "peito aberto". 

_Tudo bem, senhor presidente, darei um fim nisto. Mas estou cansado de tudo!

(Continua....)

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Autor: ChicosBandRabiscando



PROJETO PARAÍSO/ PARTE III (CONTO)

 

_"Que belo papel fazem vocês, "senhores juízes"_Ironizou.

_O que ela fez para merecer parte do meu patrimônio?

_Machucar o meu coração, foi isso?

_Queria apagar estas lembranças, mas,não consigo. Desapareça, Ana! 

_Ainda me vejo chegando para dar aulas e os "lobos" me esperando pelos corredores.

_É estranho este lugar, embora não queira, parece que estou sendo induzido a tantas lembranças. Não quero ter uma outra queda!.

_"E ai, professor, parece que "virgenzinha do pau oco" te meteu um galho.(risos). 

_`Parem, pensamentos. Por favor, parem!

_Que vontade eu  tive de matar aquele aluno desgraçado! 

_Sabia da índole daquela vadia. Tramou para me expor ao ridículo diante de todos. 

_Não, mente, não me leve agora a lembrar daquela clínica, foi horrível! "Beijei o chão"!

_Ana, tinha que me trair com meu único amigo?

_ Que droga de vida que nunca me deu uma saída. E aqui me vejo!

_Você  é um desgraçado, professor Alberto! 

_Espero que  sofram muito com esta doença antes morrerem. 

    Já sem nenhum domínio sobre os seus pensamentos, o professor fora conduzido aos tempos de ginásio. Mais e mais os seus traumas eram exorcizados. Era inútil resistir, sendo assim, deixou que as "janelas do seu inconsciente se escancarassem de vez:

_ No colégio eu apanhava dos garotos por ser mais inteligente, que ironia! 

_Ainda que  ficasse no meu canto, eles me odiavam. Nenhum deles me aceitava.

_Os que eles não sabiam é que, no fundo, eu invejava aqueles idiotas!

_Qual era a vantagem de ficar com os livros e as boas notas se eles ficavam com as garotas?

_Nunca me empolguei quando alguma menina "jogava algum charminho" para o meu lado. 

_Interesseiras, "burrinhas"! se alguma vinha para o meu lado eu já sabia que precisava de nota.

    Lágrimas brotavam dos olhos do professor. Sentiu-se envergonhado por isso. Não queria expor as suas emoções a lente do drone. Se agachou fingindo pegar algo, respirou, enxugou sua lágrimas, se pondo a caminhar novamente:

 (Continua....)

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Autor: ChicosBandRabiscando 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

PROJETO PARAÍSO/ PARTE II ( CONTO)

 

 

 

_E aqui me vejo, o único! Até nisto me mostro tão diferente de todos.

_ Por quê? Por que! Por favor, alguém me diga!

_ Nietzsche, Cervantes... sempre me entenderam. A genialidade é a loucura que não se adéqua aos comuns. 

 _Como seria bom  ter sido contemporâneo a um deles. Sentiria estar em casa!

_Anos  estudei tentando ser minimamente respeitado. O que isto adiantou? Nada!

_A inteligência é algo que a sociedade necessita, e ao mesmo tempo, despreza!

_Vejo-me em um mundo no qual a maldade, a ignorância e a mentira reinam absolutas.

_ Sem eufemismos, fodam-se todos com seus falsos princípios de moralismo!

_ Não suporto mais tanto atavismo social!

_Quem é você,oh, esperança! O que faz dentro desta  "caixa de Pandora"?

_Vá embora!

    Ofegante e agitado mentalmente, Adão parou por uns instantes. Avistou um tronco tombado  onde  se sentou buscando recuperar suas forças. A temperatura era de dois graus positivos. Ainda que agasalhado, sentia o desconforto climático. Até pensou em fazer uma fogueira e  se aquecer um pouco. Entretanto, deveria renunciar a esta necessidade.

    Algo o tirou daquele descanso momentâneo, uma luz a média altura o acompanhava.  Sim, ele não estava a sós em sua jornada. Não se apressem em conclusões, caros leitores(as). Pois, se tratava de um drone numa  forma esférica. Uma espécie de "cão-guia". Estava ali para o guiar,  reconhecer possíveis perigos e fazer contato quando necessário.

    Este era o porquê de tanto silêncio verbal de sua parte. Por ora, não posso revelar mais fatos sobre o nosso personagem. Continuemos no encalço dos seus passos. Adentremos mais aos vendavais que assolam a sua mente:

_Dane-se, Ana, não me perturbe mais. Vadia! Não merece estar nos meus pensamentos.

_Se ainda estiver viva provavelmente estará fodendo nos dois sentidos com algum otário.

_Como fui tolo,  me apaixonar a ponto de casar com ela.

_Interesseira! Se aproveitou do  meu "status", e ainda me traiu.

(Continua...)

 

Autor: ChicosBandRabiscando

domingo, 19 de junho de 2022

PROJETO PARAÍSO/ PARTE I (CONTO)

 


Não fosse a presença de um  caminhante,  a lua mais uma vez se sentira privada do contato de um ser humano pelo Cerrado goiano. Por qual motivo estaria aquele homem vagando na madrugada por um lugar tão esmo?

    Ainda sem repostas, o seguimos; não sei se  por efeito da noite, mas, parecia realmente um homem silencioso. Quero dizer, pelo menos por fora. Estar a sós e verbalizar algumas palavras, não é nada assim tão louco.

    Determinado, fazia trilha  por entre  árvores retorcidas. Para se proteger do ambiente usava uma blusa vermelha com capuz, botas de cano longo, mochila às costas e uma lanterna. O ano é  2070, estamos na região de Alto Paraíso no Estado de Goiás.

    O solitário aventureiro se chama Adão, um professor de filosofia com trinta e três anos. Deixando um pouco as descrições exteriores, adentremos seu mundo íntimo, exploremos o seu silêncio. Façamos isso enquanto podemos:

_É mais do que  irônico, é trágico! _pensava, _ Aqui me vejo para fazer o que me foi incumbido por eles. Logo por eles!

_Sei que o momento não é oportuno para uma terapia, mas, caminhar sempre me fez pensar a vida. Não sei se me sinto liberto ou um prisioneiro por completo da minha mente. O que me parece é que tem algo neste lugar aguçando as minhas memórias como nunca.

 _Lembro-me dos primeiros anos de escola. A  ovelha amarela chegando para o abate dos selvagens. Parece que já esperavam ansiosos pela minha chegada.

_Tentava me manter "invisível"; não, não adiantava,pois,logo me achavam! Odeio estas lembranças, por favor, parem!  

    Perdido num torvelinho de pensamentos, Adão parece que nem se importava mais com as adversidades do ambiente selvagem. A madrugada avançava derrubando cada vez mais a temperatura. Contudo, alma e corpo pareciam seguir por caminhos diferentes.

_O mundo enfrentando o mesmo problema. Não aprenderam nada como os erros do passado! Será que um dia irão aprender?Ah! Duvido!

_Não é tão legal "vestir a manta" de um niilista, porém, é o meu escudo! É assim que eu enfrento este mundo.

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Autor: ChicosBandRabiscando

 

Continua...

domingo, 8 de maio de 2022

Um encontro inesperado(Um conto de ficção científica)

       


     Estamos no ano 2288, viajando há quase uma hora numa caminhonete, um casal já maduro retorna de um casamento ocorrido em uma fazenda da região de Piracicaba, cidade satélite a capital do Novo Brasil, São Paulo. 

    É verão no país, um momento de alívio, visto que o último inverno fora extremamente rigoroso. O mundo mudara mais que o previsto pelos cientistas de séculos passados . As alterações climáticas, e por conseguinte, as suas guerras, haviam varrido do mapa boa parte das nações que compunham o hemisfério Norte do planeta.

     Zózimo e Dara, esse é o nome do casal de viajantes, se dirigem para  cidade de Monte Alegre do Sul onde possuem um sítio. Planejavam pegar a estrada mais cedo, porém, o casamento tivera alguns contratempos. Saíram da festa às onze da noite, já rodavam há mais de uma hora.

    Lembraram de um atalho que não era um lugar muito seguro para viajar a noite, cansados, decidiram se aventurar pelo desvio. O que não sabiam é que aquela escolha  traria algumas surpresas mais que inesperadas para eles.

 _Amor, esta vendo aquele ponto branco um pouco à frente na estrada chegado aos encostamentos? Não pode ser, mas é  neve! 

_Você tem razão, Dara, é neve sim. Estranho, não tivemos nem um alerta climático sobre esta mudança brusca  na  região.

_Mel , o que pode nos dizer sobre esta anomalia climática? _ Observação,Mel, uma inteligência virtual 

_Não consigo identificar a causa da anomalia ainda, senhor. _Mapas climáticos surgem no para-brisa do veículo_ A nevasca se foca totalmente no ponto que estamos entrando, senhor.

    Mel estava acoplada ao computador de bordo do veículo. Logo um ponto em vermelho começou a piscar, era o alerta que temiam, dez graus negativos e baixando. Realmente não dava para entender, pois, haviam deixado Piracicaba com dez graus positivos.   

     O sistema de aquecimento da cabine foi acionado automaticamente. Num toque digital, Dara abriu um compartimento retirando uma manta térmica em cor prateada. Se cobriram os dois. Zózimo passou  o comando da pilotagem para Mel. 

    Se viam agora no  epicentro da anomalia, a corrente de ar soprava intensamente. A paisagem campestre estava coberta pela  neve. Mel trazia novos dados do clima que não eram animadores. Deveriam deixar o local o quanto antes. Com Mel na pilotagem o casal relaxou um pouco.

 _Começo a gostar dessa queda brusca de temperatura; a minha esposinha aqui, enroladinha e quentinha. Este casamento mexeu comigo. _ A propósito, vamos casar de novo,Dara? 

_Ummm, não sei! Sabe, eu estava de olho em um peão que dançava muito bem na festa. Até que ele se parecia muito com alguém. _Brincou Dara.

_Dançava mesmo, é? Duvido que ele seja tão charmoso e conquistador quanto eu. _Replicou Zózimo.

_Seu convencido de uma figa! Sempre se achando, não é meu herói nacional? _Dara respondeu sorrindo.

    Mantendo um romantismo juvenil,  se beijaram permanecendo abraçados e aquecidos pela manta térmica.  Embora  casados há vinte cinco anos, Dara nunca se engravidara. Ainda que felizes, mantinham o desejo de terem um filho. Por questões políticas do novo regime relutavam em  pedir ajudar ao  Departamento de Genética Reprodutiva do Estado.     

    Mel no comando da direção garantia o retorno seguro, o sistema de aderência salina dos pneus ativado, reduzia o impacto da neve. Sonolentos, Zózimo e Dara observavam a neve caindo, contudo, algo os fizera despertar. Uma luz misteriosa cruzava o espaço a média altura do  veículo. Seguia  na direção da estrada que percorriam até sumir

    Do nada, ocorre uma pane geral, o veículo para no meio da pista. Nem mesmo Mel escapou da queda de energia. A temperatura na cabine começou a baixar, a manta térmica e as blusas que vestiam, garantia que permanecessem  aquecidos.

    O que poderia ser aquela estranha luz? Antes que decidissem sair do veículo para dar uma conferida, o sistema da cabine foi voltando. Mel reiniciava o seu sistema.

   O provável é que fosse um meteorito entrando na atmosfera, contudo, não ocorrera nem um estrondo que confirmasse tal hipótese. Mel já  rastreava  o espaço aéreo da região trazendo uma informação inesperada:

_Senhor Zózimo e senhora Dara, identifico uma fonte de energia não tão distante. É a mesma que esta interferindo  na minha memória e  no veículo. _No  para-brisa  a inteligência virtual projetava mapas da região e um ponto se movendo a média altura numa velocidade fantástica. Mel começou a oscilar novamente, bem como o veículo. Desta vez não houve pane geral, apenas uma oscilação que logo passou.

_Muito estranho isso, Dara; já não basta esta borrasca. Não vamos ficar aqui esperando o pior. A neve esta acumulando rapidamente . Mel nos tire daqui quanto antes.

    Os incidentes só atrasavam o retorno do casal para o sítio, como o local era muito isolado, dificilmente encontrariam outro viajante que pudesse  ajudá-los.  Já  se passava da meia-noite, o tempo corria.

    Mel calculou uma velocidade segura diante da intempérie, a viagem parece que não teria mais nenhum contratempo. Mas não foi bem assim. Aquele estrada revelava realmente surpresas.

_Amor, ali, você viu?  Não pode ser!_Disse Dara ao esposo um tanto espantada.

_O que você viu agora, Dara?

_Mel, pare o veículo imediatamente_ Ordenou Dara.

 _Por que você esta pedindo para pararmos, Dara, aonde  vai? Não pode sair assim!

    Como se fosse uma leoa, Dara desce rapidamente da caminhonete, suas botas de cano longo vão marcando a neve. Zózimo desce em seguida gritando com a esposa pedindo que retornasse. Desacoplada do painel de bordo, Mel flutua atrás deles projetando luz na escuridão da estrada.

    Ofegante, e expelindo gotícula quentes de ar pela boca, Zózimo encontra Dara. Ela estava parada no meio da pista sem dizer nada. Parecia uma leoa mirando a vegetação coberta de neve no encostamento. Zózimo toca no seu ombro, ela perde a concentração. Fitando os olhos do esposo, finalmente diz algo:

_Amor, eu vi uma criança em pé ao lado da pista, ela estava nua! Tenho certeza que vi. Precisamos encontrá-la  ou então ela morrerá neste frio. 

_Tem certeza no que esta me dizendo, Dara? Pode ser uma alucinação causada pela noite,  ou efeito do sono. Dara seja racional. O que uma  criança estaria fazendo nua num frio deste a esta hora da noite e numa estrada deserta?

_Não amor, tenho certeza no que estou dizendo! Eu  vi a criança, ela estava por aqui. É um menino por volta de sete anos e bem claro. Muito parecido com os antigos europeus do Norte.

     Mel fazia uma varredura do local com seu radar de calor em infravermelho. Só havia a presença de  alguns animais noturnos resistentes ao frio. Zózimo insiste a  esposa que retornasse para o veículo. Contrariada e chorando, Dara desistiu da procura. Seu esposo a abraçou. 

    Já próximo ao veículo pararam, Zózimo não acreditou  no que seus olhos viam. Dara estava certa, sim,  era um menino, estava nu como ela afirmava.  A sua  pele era bem clara, cabelos e olhos castanhos,  por volta de sete anos.

    Como o menino não se importava  com o efeito da baixa temperatura? Os relógios de pulso  do casal marcavam vinte graus negativos.  O garoto estava ali tranquilo brincando com o farol do veículo  aceso.

    Percebendo  a chegada deles, parou, olhou fixamente para Dara, logo sorriu. Ela não resistiu aquele afeto tão inocente sorrindo de volta para o menino.

_Filho, não entendo como ainda esta vivo,  neste gelo todo,  já deveria estar em estado de hipotermia. _Falou Zózimo ao garoto que sorri também para ele. 

    Agindo como uma leoa protetora diante do seu filhote, Dara abriu a porta do veículo pegando  a manta térmica que usavam  cobrindo o garoto. Estranho! Ele jogou a manta ao chão. Dara e Zózimo se olharam sem entender. 

    Mel  quase tocando o solo fazia análises biológicas do menino.  A proximidade da máquina fez que o garotinho esquecesse o farol apontando o dedo para Mel e sorrindo.

    As primeiras análises de temperatura corporal  e dos batimentos cardíacos do menino  haviam sido medidos com precisão. Os  resultados revelados deixaram Zózimo e Dara boquiabertos: 

    Temperatura corporal (10 C°), batimentos cardíacos  30 (bpm), risco de vida, zero! Eles piraram com as informações trazidas por Mel. Como explicar de forma racional que aquele garoto não estivesse num estado de hipotermia.  Por qual motivo seu coração pulsava num ritmo bem abaixo de um ser humano. Isso lembrava em alguns aspectos a um urso polar.

    O vapor quente que liberavam pela boca atraia a atenção do garoto. Zózimo o pegou nos braços, Dara abriu a porta do veículo e eles entraram.  

     O atalho só lhes trouxera fatos inexplicáveis, não aceitado que o menino pudesse não sentir todo aquele frio, Dara tentava em vão cobri-lo. Mel fez novas medições de temperatura e frequência cardíaca agora comparando com a deles. Não havia erros na medição. Como explicar tal discrepância? Não sei, leitores(as)

_Meu ursinho polar, quem te abandonou desta forma na estrada? Foram os seus pais? Deixe que a mamãe te cubra. Esta muito frio! _Não adiantava, a manta o incomodava, pois logo se descobria.

_Amor, ele é extremamente claro, bem mais que qualquer um de nós. Provavelmente é filho de algum imigrante que invadiu as nossas fronteiras.

    Zózimo prestara mais atenção a  palavra (mamãe) proferida  por Dara  a criança. O menino se sentia tão bem ao lado de Dara. Tão a vontade que alisava os cabelos dela. Logo adormeceu com a cabeça no colo dela.  Mel continuava na direção, todos estavam bem cansados.

    A viagem parece que não teria mais nenhum contratempo, a borrasca já não soprava tão forte, a neve caia mais lenta. Contudo, um novo contratempo vinha de encontro a eles na estrada.

_Amor, o que é aquilo , parece um "drone", será uma patrulha?. _ Disse Dara espantada.

_Não é um "drone", Dara, é muito grande para ser um, é porque ainda esta longe. Duvido que seja alguma patrulha; não nesta região.

    Toda energia se fora,  Mel se apagara, o ponto luminoso pairava acima deles. Zózimo viu que Dara estava  apavorada, então pediu-lhe que se acalmasse para não acordar o garoto. Não adiantou, pois, a criança logo despertou. 

    Espaço-tempo pareciam parados, já não conseguiam se mover ou ouvir qualquer som. Tudo o que percebiam era uma luz radiante e calma num tom azul  os envolvendo. Suas mentes continuaram conscientes, só não podiam mesmo  é se mover. 

    E o garoto? Parecia  não ser afetado pelo fenômeno radiante, impaciente,  apontava o dedinho  para o alto na direção do para-brisa. 

_O que a criança esta vendo lá fora? _Em pensamentos questionava Zózimo_ Por que ele não esta paralisado como nós?

_Amor, não posso estar louca, estou ouvindo os seus pensamentos. Sé verdade me responda. _Mentalizou Dara.

_Sim, Dara, também percebo os seus pensamentos; isso é incrível, é uma espécie de telepatia que estamos tendo _Respondeu Zózimo eufórico com o fenômeno.

_Sinto aflorar tantos sentimentos, amor, estou lembrando de bons momentos da minha infância, da minha mãezinha. São coisas que nem lembrava mais! _Dara se via num estado de êxtase profundo.

_Dara, também estou recordado coisas boas, é como se fôssemos induzidos a isso por essa estranha luz. Só posso definir ser um estado de paz plena!

    Compulsivamente lágrimas caiam dos olhos do casal sem que pudessem detê-las, tão pouco, parar seus sentimentos ali aflorados. Suas mentes e corações se viam misteriosamente interligados como se fossem unos.  Sentiram que naquela espécie de nirvana poderiam ficar imóveis por toda eternidade.

    Porém, o fenômeno de luz havia passado, já podiam se mover,  ainda que tocados pela energia que  ainda não se fora.  Se abraçaram ainda chorando. Recompostos, perceberam que o  garoto não estava com eles? Desceram do veículo para encontrá-lo.  Ele estava a poucos metros, cabeça inclinada, fitava um ponto de luz  azul que sumia no espaço.

    Por mais que tentassem um diálogo com o garoto, ele não pronunciava nenhuma palavra. Alguns metros à frente notaram que a neve sumira, a temperatura se normalizara. As cinco da manhã chegaram ao sítio, pegaram algumas roupas do filho  do caseiro e vestiram a criança.

    Foi assim que Zózimo descobriu uma figura pequena no pulso direito do menino. Era o desenho de um tridente na cor azul. O traçado da figura era tão perfeito que parecia de nascença. Nada que conheciam poderia identificar o que representava aquele símbolo.

    Os anos se passaram e a cada inverno o frio se tornava mais inóspito para sobrevivência dos azuis, descendentes dos antigos brasileiros.  O ex- Senador Zózimo havia feito várias investigações sobre a origem do garoto, contudo, não encontrou nada sobre os seus pais. 

    Nenhum registro de imigrantes presos ou expulso da região, tudo era um mistério. A criança viveu no sítio escondida de todos  até  que Zózimo encontrou  uma  forma de adotá-lo. Dara agora era mãe.

   

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Autor: ChicosBandRabiscando

Um encontro inesperado( Um conto de ficção científica)

 

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