Quer me acompanhar no Instagram.....

sábado, 20 de outubro de 2018

Versos aos céus



Hoje acordei com letras caindo de minha cabeça.
Letras que se esparramavam  sobre o papel.
Assim, fui lendo as frases:

Poeta! Poeta!
Não me engane.
Não disfarce.

Faça as coisas antes que o tempo  passe...
Lembre-se, O amor também visita à cabeça.

Por isso, lhe peço,
não deixe secar os teus versos.

Também fale  do céu.

Dos céus!




Autor: ChicosBandRabiscando






                                                                                                                   














Credites:https://pixabay.com/en/angels-dark-gothic-goth-fantasy-2332987/



A chegada do amor



Quando o amor chegou,
beijou  todas as minhas veias.
Penetrou  fundo no meu sangue.

Consumou a sua invasão,

não há nada que o estanque.

Fala coração!




Autor:ChicosBandRabiscando






                                                                                                  






Credites:https://www.stockvault.net/photo/176433/romantic-couple-watching-the-stars

domingo, 14 de outubro de 2018

Zumbis


Preso, sitiado, não há mais nada.
Toda  á terra que piso esta arrasada. 
O que me resta se não o vazio.
A morte se nega a  decência.
Só vejo corpos  atirados aos rios.

Sol,
por que não resistiu ao inverno?
Por que não lutou!
Triste vejo o poeta Alighiere chorar.
Desnorteado,
recita versos lacrimejando sangue.

Chora Alighiere !
Chora Alighiere !

Reconheço aqueles  que te ferem,

sei de todos os seus porquês.
Poeta  valente,
você é o herói que lutou.
Lutou para fechar as portas do inferno. 
Desse frio  inverno!

Fogueiras, caldeirões, círculos,

assim começam suas danças macabras.
Insuportável é ouvir os  seus grunhidos.
Queria poder tapar os meus ouvidos,
porém,  não consigo.

Tal como praga eles se espalham...

Logo vão ocupando todas as cidades.
São os comedores de cérebros,
os devoradores da luz.
Por cada canto mora agora o perigo.

Oh,esperança!
Até quando?
Até quando iremos esperar?

Vejam,

antigas maldades estão a chorar.
Pobre do velho diabo!
Jamais  conseguirá entender?
Já não passa de uma velha criança.
Orgulhosa,
triunfa a peçonhenta serpente,
breve seus ovos  irão chocar.
Sinuosa maligna e sua dança!


Nada mais é eterno.
Nada mais será eterno.

Mesmo assim...

Mesmo assim tento buscar uma fonte.
Quero beber a água pura  do Jordão.
Da água doce que não apodrece.

Todos juram agora de pés firmes
que a Terra é plana.
Liberdade cigana,
terminara os seus dias no calabouço.
Não quero nada com essa solidão!
Morte,
porque tornou-se tão insana?

Não há mais  fugas para os montes,
porque feriram de morte o horizonte.
Os dias um dia já foram assim.
O hoje veio e os tornou  assim.

Nenhum dia a mais amanhece.

Nenhum dia a mais acontece.
Dias sem luz e sem prece.

Os versos do amor começam a secar,

nada mais tende a mudar.
É triste ver a esperança  se inundar,
se afogar das lágrimas e não mais sonhar.

Dizem que o excesso de luz  pode cegar,
que não se deve roubar as cores das florestas.
Fauna e flora,
é o  pouco do paraíso que nos resta.

Vejam  as nossas roupas,
há nelas tanta falta de vida.
A nova lei foi padronizar  o cinza,
Como podem ter ideias tão loucas?

E o que pensar do amor?

Tudo o que pesa e fere é a dor.
A nossa dor.

O ódio escondido ressurgiu  para ferir o belo,

trouxe consigo  Marte para matar a arte.
Nenhuma flor do meu jardim mais resiste.
Céu e terra  andam  tristes.

Dentro de mim o fogo ainda arde.

Não  renderei-me sem lutar.
Jamais serei  presa fácil.

Eu tenho fé,
uma espada, 
o meu escudo.

Sou fortaleza e castelo,

farei honra  á minha princesa.

Sou a minha própria resistência,
não se atrevam ao meu mundo.
Sou senhor do meu destino.
Ninguém manchará as minhas terras.

Também sei fazer guerras.
Eu sou a fúria que me impera.


A ausência de fé quebra os ossos,

e o fanatismo destrói as células.
A radioatividade também chegou;
cuspiu nas nuvens a chuva ácida,
tudo queima sobre a pele.
Não há mais luz, somente trevas.
Pessimismo
por que você  não passa?

Sou mais do que esse corpo,
uma  chama  viva!
Eu tenho alma,
não  afundarei nessa lama.
Em minhas terras  sou o rei,
jamais cairei.
Tenho coragem,
não me ponham mordaça.
Hei de achar  a saída...

Venham mortos-vivos,
seres podres  distorcidos.
Lutarei até a morte,
Não serei destruído.
A espada é  a minha lei.

Corre o sangue puro em minhas veias,

sou muito mais que um arquivo.
Meus olhos são a força viva do que  falo.
Eu sou o raio e o estalo.
Pulso, estou vivo!

A História gira...
Transpira!
Ela não se repete.
Porém,
não me custa dizer.
Fatos tendem a  rimar;
é preciso  entender,
acordar.

Tudo há de mudar...
De se transformar...

Não sou peixe de águas rasas.
Sou dos mares profundos.
O oceano é  o meu mundo.

Ainda que controlem o tempo,
que matem o futuro e o presente.
É preciso  manter a alma leve;
defender o tempo dos mortais,
o tempo breve.
Tudo o que passa já não é mais.


A mim ninguém se atreve,
não me entrego tão facilmente.
Nasci para ser um pássaro livre,
não venderei  a minha mente.

Evocarei anjos e  dragões.
Rasgarei todos os céus.
Defenderei o relicário,
todas as lendas do paraíso.

Sou a minha própria lenda viva,

o mais  puro antiquário.
Sou um peixe raro,
um homem-anfíbio.
Sei nadar fora do aquário.

Não me venha ditar nenhum dicionário.
Sou meu próprio exército, 
o meu fiel  legionário.
A tua maldade me fez desperto.

Acenderei uma vela branca a fé;

tudo isso tende a passar,
espero que sim.
O mundo não há de parar.

Resistir é o meu ato de coragem,
a minha cina de ante-herói.
Não me seduzirei as tuas sobras,
a tua pele  de um  covarde.

Venham comigo,

guerreiros.
Sejamos os filhos da luz,
os anjos primeiros.
Zumbis, 
deixem as ruas...
É a  hora da nossa luta.
Mais uma vez o  filme se repete,
é a espada contra a  cruz
Tudo agora é The Walking Dead.


   


                                                                      




Autor: ChicosBandRabiscando





Credites:https://pixabay.com/pt/users/10998332-10998332/






















segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Primavera e inverno


Quando você chegou, foi como o fim de um inverno.
Verdadeiro ensaio para uma primavera.
Encantei-me com as primeiras chuvas do teu carinho.
Por elas, rompi o meu estar sozinha.

Teus olhos... Ah! Teus olhos.
Atingiam minhas águas mais profundas...
E quando cantavas.
Eu era a própria plateia que se encantava.
Todos os pássaros se calavam para te ouvir.
Meu Deus! Como resistir ?
Como resistir!

Eras para mim alma colorida.
Tal como a chuva que devolve a vida.
O teu calor era pura fagulha.
Verdadeira chama a reacender minh'alma.

Sim, você roubara a minha calma.
Lavou todos os meus medos,
ganhara os meus segredos.
Contigo redescobria o meu mundo.

Ter-te por perto, ah!
Era como fragrância aromática de vinho suave.
Quando ausente,sentia-me quebrada.
Quebrada como uma taça de cálice.

Afoita, dizia, é isso!Só pode ser!
Somos almas afins,
juntos por eras e eras...
Nada de um caso do acaso. 
Não! Isso não.

Cega,atirei-me aos teus braços.
Fui tua prisioneira, e você, o meu primeiro.
Amarrei-me assim ao teu laço.
Teu nome era a chave.
A chave de minha prisão.
Já me via livre da solidão.
Por tuas mãos, em tuas mãos!

Dei-te os meus segredos como dotes,
arrisquei-me nessa sorte.
Fui a tua porta aberta. A tua entrega!
Era assim ou a morte.
Foi assim minha morte.
Sorte? Não sei!

Moravas  em minhas cobertas.
Quebrava todas as minhas regras.
Entreguei-te a minha bússola de direção.
Fui só coração, só coração!
Somente tu me falavas, calavas-me!
A minha cabeça girava...
Meu Deus! Como eu te amava!

Perfeita foi a tua trama,
era você e minha cama.
E sem nenhuma suspeita,
acreditava ser tua eleita.
Tudo o que me dizia era, nós. 
Um nós cego.
Dando sem nenhuma dó.
Fincaste em meu peito o teu prego.

Foi puro ego. Puro ego!
Pois tu me enganavas.
Enganava-me!
O tempo cobrou minha desilusão.
Lágrimas lavaram meu coração.
Tudo ficou assim tão cinza!

Vi o próprio sol se misturar a poeira.
Golpe triste desse meu destino.
Por que cruzou o meu caminho?
Ladrão de minha vida,
fiquei assim: tão sem saída!

Mãos hábeis à ratoeira,
cai por inteira. Por inteira!
E Como um conquistador barato,
fez pontes aos meus hiatos...

Tua indiferença tornou-se o próprio frio.
Assim, me atiravas a um rio.
Tal como um jardineiro da desilusão,
cortavas as minhas rosas por inteira.
Por inteira!

Como pode roubar o meu sono?
Pôs pedras em meu travesseiro.
Meu ledo engano,
meu desengano!

E feita louca, 
afoguei-me na poça dos meus gritos.
Tristes lágrimas do meu inverno!
Presa estava  a um labirinto.

Mas eu nadei...
Avancei contra a correnteza...
Dei tudo de mim, venci!
Cruzei as águas desse inferno...
E jogada a margem, vi você partir...
Partiu meu coração.
Se foi com a minha prima,
Vera.
______________________________

Primavera e inverno
Autor: ChicosBandRabiscando




                       
                                                  


Crediteshttps://www.pexels.com/photo/woman-looking-at-sunset-247195/

domingo, 30 de setembro de 2018

O homem e a colher


Não vista esta máscara,
tire-a de tua face.
É fantasia de morte,
da tua sorte.
Da tua pouca sorte.
Por isso lhe digo,
lave o teu rosto.
Cure as tuas lágrimas,
dos teus desgostos.
De um coração ferido.

Cabra da peste,
eu bem  sei donde vieste.
Alma sofredora,
você é semente boa.
Um filho do sertão, 
do meu coração.
O sertão dos agreste.

Sei que és um homem de fé,

daqueles que   oram.
Roga a Deus todo santo dia...
Saiba que o céu te ouve,
é Nossa Senhora.
Ela sabe o que tu pedes,
entende porque choras,
E assim, ela intercede.


Se na boca tem poucos dentes,

mas,resistentes.
E assim, tu vais raspando tudo....
É a tua luta contra a fome.
Um homem e tua colher.

Por isso lhe digo,

meu bom homem.
Não importa se teu olhar é triste,
sei que nele um poema existe.
E na escola da vida tu não faltas,
tens sempre uma boa nota.
É verdade,
a vida te é uma prova.
É exatamente isso o que nos falte.
É ter fé ,
é ter coragem.

___________________________

Autor: ChicosBandRabiscando
O homem e a colher


Agradeço de coração ao nosso grande fotografo naturalista, Araquém Alcântara.
Foi muito gentil ao atender ao meu pedido. É uma honra  ter uma das tuas fotos ilustrado o meu poema.

Créditos da imagem:
https://araquemalcantara.com.br/contato/
https://www.instagram.com/p/B7MDMgJFyg4/
https://br.pinterest.com/pin/98375573085407006/
                                                                                                                           








garota.com



Baby,
cada um conquista o mundo com as armas que tem.
E você, meu bem, ah, isso você tem!
Tem de sobra, porém eu estou aqui a resistir.
Pois, você não me dobra!

Perfeito modelito designer,
são todas essas tuas curvas.
Nenhum colchão suporta  a tua chama;
é muito mais que um papel de presente.
É a "Femme Fatale".

Vou logo lhe avisando, rostinho lindo.
Você tá fora das minhas leis.
Tá ocupando a  minha cidade.
Eu já não duvido, logo será presidente.

Hoje veio embalada num vermelho;
não serei presa fácil, tipo lenha pra queimar.
Ao teus olhos eu não me atrevo.
A garota tá armada, eu não vou me apaixonar.
Tô fugindo da tua cilada.
Toda esta cidade já lhe pertence.

Não brinque assim, deixe o meu coração em paz.
E para o seu governo, tô de placa de aviso.
Um homem não pode vacilar tato assim.
Já aprendi certas lições dessa vida.
Você é um  produto da lei de seleção natural.
Tem um coração lindamente jovem, entretanto, selvagem!
Lamento lhe dizer, querida, mas você não sabe amar.

Por isso lhe peço, não me leve as tuas curvas.
Eu sei deste risco.
Tá na cara, você tem todas as armas.
Sabe muito bem como me fazer cair.
E se tudo isso acontecer novamente.
Será que você vai me levantar ?

Não sei se acredito que a garotinha cresceu.
Se tá pronta pra me amar?
A única certeza  que eu levo, baby.
É a que trago no meu bolso esquerdo.
Você só sabe jogar.

E agora, você tá pronta pra perder ?
Tá querendo se encontrar ?
O teu  lance eu já conheço.
Sei da simetria da tua boca.
Você tem um  sorriso lindo!
Incrivelmente polar. 

Vai...
Saia pra caçar.
pratique o teu hobby predileto.
Sempre tem um homem por perto.
E antes que fiquemos loucos,
nós somos bobos.

Não é uma questão Freudiana;
é o teu par de pernas, teus  olhos.
E assim, você nos engana.
Presa fácil pra mais uma caça.
Ai, você volta pra casa.

E hoje novamente a tua teia tá armada.
Confesso, já amei os teus lábios.
Mas não vou cair; tô fugindo dos teus números.
Não quero mais essa cilada!

No mais......
Tudo agora é um improviso.
Garota.com,
tá retocando o seu batom
Será que eu resisto ?

____________________________

Autor: (ChicosBandRabiscando)
Garota.com





Obs.: há vários sites com esta imagem, logo não consigo
dar os créditos ao autor(a) da imagem.
Tendo algum problema excluo a imagem do poema.



sábado, 15 de setembro de 2018

Ao mar


Chego quando o sol se despede.
Pela praia deixo os meus chinelos.
E assim te sinto quando me vens.
Pois,
em mim você deságua.
Amo-te por essas águas.
Por elas também navego.
Pelo tanto que te quero.
Que eu te quero.

Hoje eu fiz mais um castelo,
libertei novas  saudades.
Digressão,
é tudo o  me invade.
Passos lentos,
vou deixando marcas,
Piso toda a areia.
Há quantas ondas você me chega!
Bombeia....
Bombeia....
Você é  sangue nas minhas veias.

Venha de onde vier
Sou a saudade que te quer.
Atraca em meu coração,
molha os meus pés.
Das ondas seja a espuma.
Borbulhas de uma entrega.
Pois, 
em mim,
você navega.

Assim,
ponha fim à tristeza,
a solidão.
Não me canso de riscar esse  chão.
Fiz da praia o teu nome.
Do vento,
tua direção
Finquei-me nessas  pedras,
tornei-me o teu porto.

Cansei de ser ilha.
Por isso,
não  me deixe á margem.
Perdido sem teu paraíso
Na mente também navego.
Sou um  barco indeciso.
Com você tudo supero.
Preciso do teu sorriso.
Navegar-te é preciso.

Tristes os fins de tarde.
Quando te vejo feito miragem.
Mas a ti não me nego.
E assim eu trafego.
Vou além desse mar....
Pra te encontrar.
A te encontrar.
Porque Te amo.
Porque te espero.
Deixa em mim tua bagagem.
Finda agora tua viagem.









                                                 Autor:   Francisco de Assis Dorneles











Credites Image by <a href="https://pixabay.com/pt/users/RPN-685308/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3400594">RPN</a> from <a href="https://pixabay.com/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3400594">Pixabay</a>


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O anjo da caixa



Não ouse tirar esta tesoura das minhas mãos.
Será que você não entende?
Veja as minhas asas.
Elas simplesmente crescem.
Maldita é toda esta plumagem!
Luto com todas as minhas forças,
porque não as quero!
Prefiro estar á margem.
Porém,
todo santo dia é a mesma coisa....
Por que não desaparecem?
Estão em conluio contra mim.
É assim que elas agem!

Por favor, pare!

Não quero que me olhe assim.
Nada de ter pena.
Pena de mim!
Deixe-me, preciso continuar cortando...
Esta é a minha guerra.
É muito mais que um dilema!
O que me importa se já não desaparecem.

Olha, não quero ser tão repetitiva.
Mas dá para virar a tua face?
O teu olhar me incomoda.
Não faça isso, nem pensar!
Vá tirando as tuas mãos desta corda.
Quem lhe disse que eu quero me libertar?
Deixe assim como está.
Pois saiba que não irei mudar!


Fique tranquilo,

o meu caso de ódio não é com você.
É com esta tesoura.
Não queria lhe dizer.
Por isso, te falarei bem baixinho:
Tem horas que eu até gosto delas.
Passam uma sensação de leveza.
Contudo, sei que é apenas uma ilusão.
Asas foram feitas para pesar.
Continuarei a negar. 
Negar que me tragam  prazer de viver.
Deixa está, logo resolvo isto.
Vou acabar com estas penas.
É tudo o que me importa.
Não tem mais volta. 
Eu me entreguei a revolta!

Dane-se o sol.
Não passa de mais um atrevido!
Veja só, está se achando. 
Todos os dias chega até mim.
Tem as vestes lindas de um pregador.
Se atreve aos meus ouvidos.
Fala-me do mais puro amor!
Será que não vê que não quero?
Eu grito, me desespero!
Vago neste labirinto.... 
Já não encontro os meus elos!
Nem sei mais se os quero (?)
 
Porque já não consigo,não me sinto! 
Só queria me ver em algum porto.
Tudo isso me aborrece.
Navego pela tempestade... 
As águas vem, me invadem!
Sou os restos de um naufrágio. 
Uma presa indefesa deixada em uma Ilha.
Vou morrendo assim, dia a dia...
Eu já não encontro a alegria!


Deixe-me a sós. 
Não quero saber dos teus versos.
Ninguém pagará pela minha fiança.
Não tenho mais esperança!
Por mim a vida passa...
Não, não passa!
Deforma-se, me amassa!
Fico aqui, prisioneira nesta caixa.
Vai-te a minha idade.
Vá a frente,eu, atrás.
Sou um ontem?
Sou um talvez?
Ou um nunca mais?
Não sei!

Nada mais que sinto tem graça.
Só esta dor me abraça.
Queria poder me mexer, me ver!
Mas de onde veio esta faca?
Tire-a de minhas mãos.
Eu te odeio,solidão!
Faz me sentir tão fraca.
Não consigo entender?
Por favor,tente me dizer!
Quem pôs em mim esta mordaça?
Quem é que me cala?


Bem que eu queria...
Amaria pisar novamente este chão.
Mas ir lá fora?
Ah, isto não!
Definitivamente,não!
Obrigada,quem sabe uma outra hora.
Agora saiam vocês dois.
Tenho mais penas a cortar.
Não quero ninguém para me atrapalhar.

Podem levar o meu sorriso,
 
também este porta-retratos.
Eu já não preciso!
Hoje não quero saber de memórias.
Ficará apenas eu e o meu  quarto.
não sei mais onde estou? 
Vejo-me perdia na minha própria história.
Tal como um fantasma, vago pelo meu passado...
Perambulo por um presente tão ausente...
Eu só queria poder calar minha mente!
Porém,não consigo.
E assim, eu sigo...
Sigo negando a qualquer afago!

Tudo é tão vago....

Ausente de qualquer sentido...
Tornei-me um espectro em perigo!
Às sombras, temo a força dos raios.
Não perca seu tempo tentado me esclarecer.
Pois será que não vê?
Não vê que não estou nem ai?
Que não quero nem saber?
Apenas caio, caio!

Peço agora que saiam.

Fecharei todas as janelas,
baixarei as cortinas.
Acostumei-me à neblina, é minha sina!
Vago perdida no lado escuro da lua...
Por isso,nada que diga  me seduz.
Seguirei só com a minha cruz.
Ponham-se todos para fora,agora.
Fora! Fora!
 

Por que você ficou?
Aliás,eu não te vi com eles. 
Como foi que aqui entrou?
O que!
Também tem asas?
Ah!Já entendi.
Então este  é o teu plano.
Pensa então reensinar-me a voar.
Que pena!
É, 
lá vem as malditas penas de novo.
Sempre elas! 
Contudo, não preciso.
Não as quero mais.

Não enxugue minhas lágrimas.
Porque talvez eu não mereça.
Por favor,desapareça!
Tuas mãos,o que têm nelas?
Confesso seduzida pelo seu toque.
Quem dera se eu me amasse!
Até parece que já vivi este carinho.
Teu afeto me faz sentir que não estou sozinha.
Onde estão os meus disfarces?

Mas quem é você?
Seria a minha paz?
Olha,vou logo lhe adiantando, 
Eu tenho um rio sobre os olhos!
As minhas lágrimas são assim,
pois não se secam jamais.
Nem eu mesma gosto de mim.
Sem nenhuma pena, me cobro.
Choro esperando pelo fim!

Orar?
Não.
Eu já não oro.
Alias, nem tento mais.
Por quê? Não consigo.
Simplesmente não consigo!
Fico atrás,
aceito os meus castigos.


Por favor,
não mexa nesta agenda.
Ela guarda os meus segredos.
Se abri-la talvez faça me sentir mal.
Peço desculpas, mais é  confidencial.
Quer então quebrar os meus medos?
Tudo bem,então leia.....
Saiba que não taparei os ouvidos.
Afinal, nada mais me importa.
Talvez eu já esteja até morta!

A garota dessa agenda já não sou eu.
Não passava de um tola.
Era ingênua,altruísta e sonhadora!
Há quanto tempo não releio as suas frases.
Você me plantou  uma dúvida:
Quem se tornou peça de museu?
Ela,ou será eu?

É,
você conseguiu.
Parabéns,senhor anjo!
Injetou vida nova em minhas veias.
Vejo que é um serafim audaz.
Onde esta?
O que fez com a minha venda?
Por qual motivo a tirou?
Meu Deus!
Nem me lembrava mais disto.
O céu ainda é tão lindo!
Por favor, quero provar mais desta Ceia..

Um espelho?
Ah! Já entendi.
Quer então que eu me veja.
Hum! Não sei?
Eu ainda tenho receio.
Mas é tão belo o Paraíso!
Novamente o reconheço.
Não quero mais esta descida!
Desperto estão os meus olhos.
Porque aqui levanta esta alma caída.
E isto não tem preço! 
Bendito seja o meu recomeço!


Belo anjo,

por acaso  é um mágico?
O chamarei de o mágico do espelho.
Por que me transformou?
Onde é que estou?
Voltei a ser aquela mocinha.
É,eu era tão linda!
Linda e cheia de vida.

Mas quem é ela?
Não a vi entrar.
Já sei, é mais uma das tuas surpresas.
É para mim? Obrigada!
Espere...
Eu reconheço estes vestidos.
Como?
Ainda tão coloridos!
Como você faz isso?
E estas sapatilhas?
Não acredito! 
Também as reconheço.
Eram as minhas favoritas.
Tudo isso me faz lembrar da minha família.
Será que estou vivendo uma fantasia?

Por Deus! C
omo não a reconheci?
É você! Mamãe!
Então é amiga deste anjo que agora amo.
Já sei,não precisa nem falar.
Peço desculpas pelo meu desleixo. 
Mamãe, é que eu ando um pouco doente.
Só um instante,vou ali pegar um pente. 
Ah! Como tenho saudades disto! 
Mamãe, por favor, me penteia.
Refaça as minhas tranças.
Ainda sou a tua criança.

Meigo anjo,já não me é estranho.
Mesmo que estivesse entre mil outros rostos.
Pois o reconheceria, de novo e de novo... 
Deixe que eu afague novamente os teus cabelos.
Ainda estão assim, brilhantes,mais que vivos! 
Pai, sempre amei os teus tons castanhos.

Meu Deus!Como é que pude duvidar?
Via-me perdida, sem força para me achar.
Foi por isso que não mais orei.
Uma vez que a morte eu simplesmente a desejei.
Mas agora sei. 
Sei o quanto que eu errei! 

Minhas duas gaivotas, 
obrigado por me trazerem de volta.
Por favor, levem para fora.
Quero sentir novamente o brilho da aurora.
Reaprender a voar, refazer meus elos com a natureza.
Não impedirei mais que as minhas asas cresçam.
Adeus, meus pais, sei que um dia voltarei a vê-los. 
Agora tenho certeza!



------------------------------
Autor: ChicosBandRabiscando
Prosa poética: O anjo da caixa




                                                                                          




Credites: Foto de Keenan Constance de Pexels