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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Tejo



Ao porto eu ainda me vejo,
exalto as águas lusitanas.
Nasci as margens do Tejo,
a ele  minha alma reclama.

O mar é-me tão fascinante,
e nada disso me estranha!
Já fui marinheiro velejante,
toda memória apanha-me.

Tejo que te beijo em cântico,

o teu curso é a liberdade.
Por ti, fui parar no Atlântico,
o meu coração é a saudade.

Lisboa, minha pérola tão bela!

Já não tenho mais verdades.
Fui-me embora numa caravela,
e este meu sol se põe tarde.



Autor:ChicosBandRabiscando








Credites:Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/6252550-6252550/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2677621">António Francisco Calado</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2677621">Pixabay</a>







quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Pontos e vírgulas


Nesta vida há tantas vírgulas que se tornam pontos,
há  tantos pontos que se tornam vírgulas.

São os encontros e os desencontros,
as chegadas e as partidas...


Autor: (ChicosBandRabiscando)



user:JESHOOTS-com 
Credites:https://pixabay.com/photos/airport-transport-woman-girl-2373727/











domingo, 11 de agosto de 2019

As noites primeiras





Um dia todos aqueles que amamos serão apenas pó das estrelas,
pois, tudo o que é bom  o tempo vem e nos leva...
Aprenderemos a amar os céus como se noites fossem  primeiras.
Saudosas saudades; chamas dos sentimentos, doces entregas.
Quando o amor é sentido, nunca se perde, nada perece!
Nomear estrelas é dar provas de que o amor se mantém.
E nada! 
Nada nesta vida poderá definir por palavras o que dói no peito.
É necessário deixar que as águas caudalosas sigam o seu curso.
Que os rios percorram  por nossas veias...

O sentimento é o deleite que alimenta os nossos leitos,
é o afeto que escreve verdades sem impor regras.
Livre, as asas do amor logo nos chegam.
Fitando-nos os olhos, assim, profetizam: 
Ainda hoje estarás comigo.
Caindo a tarde, elas partem...
Fica apenas o sentimento do vazio,
da total falta de abrigo.

Batidas asas das saudades,
sobre nós, 
as marcas.
São os abraços,  
afagos,
beijos e cheiros!
Tatuagens das lembranças,
nada mais as alcança.
Ainda assim,  
a alma tenta.
Tenta!
Deseja um pouco mais de entrega;
triste,
o tangível se apaga.
Há uma sede na garganta.

O amor se encaixa feito luvas;
visto que, o afeto nada finge.
Toda saudade nos acusa!
Sentimentos,
nunca se fazem em desuso.
Não se arrefecem;
simplesmente amanhecem,
anoitecem.

Tudo jorra  do seu leito;
das correntezas,
lágrimas!
O que vem a ser  saudades,
nada!
Apenas um mar de profundas águas.
O amor faz o curso do seu pranto;
cachoeiras desaguam sobre preces,
o tempo é tão ardiloso!
Parece que nos seca;
não seca,
nada  se acaba.

Deixe que as almas vaguem...
Que busquem  suas cidades.
Nem mesmo assim,
o amor ficará á margem.
Porque sentimentos...
Sentimentos não são miragens!
Tudo vem e nos invade...
Simplesmente nos invade.
O amor é a saudade que não quer um fim.


Autor:    Francisco de Assis Dorneles
















Credites:https://unsplash.com/photos/oMpAz-DN-9I

domingo, 4 de agosto de 2019

Supernovas



Velhas vozes,
caminheiras do tempo.
Por mim, todas ouvidas.
Falam-me dos sentimentos!
Tempo.
Sempre o tempo!
Profetiza as partidas...

Em minh'alma ficam marcas,

tenho o coração tão pequeno!
Fagulhas de luzes,
de lágrimas.
Sóis que queimo!

Silencioso é o vácuo,

no escuro o brilho é tão tímido!
Chorem seres de barro!
A todos velas se acendem.
Mas, quem resiste ao tempo,
ao vento ?
Quem é que os vence?
Logo se apagam.

Fica a dor destas chagas;
aqui estou a senti-las,
vela-las!
Feridas as minhas estrelas.
Fagulhas que tanto piscam,
se apagam!

Pirilampos, vaga-lumes,
seres que  as imitam.
Imaginam reinar  no escuro,
tal como ouro,eles  brilham!
Brilham, porém, não resistem,
se apagam!

Raros são os sopros da vida,
bilhões  de pontos de solidão.
Almas em despedida;
quase um nada,
se apagam!

Eternas capelas, 

tão próximas,
distantes...
Queria poder tocá-las,
dar-lhes as minhas mãos.
Do alto todas fascinam,
assassinam-me!

Velha barca dos viajantes,

dentro de ti vai tanta gente!
Já não tenho mais chão;
nem presente,
perdi minha direção,
Vivo agora das memórias.
Desse ausente!

Oh, nau dos mortos!

Brilhem as supernovas!
A noite estarei aqui a vê-las passar...
Deixem as vossas covas;
cruzem as águas da morte,
rompam com este mar...
Porque sei que alcançaram os portos.
E algum dia...
Um dia!
Ai, também vou estar.
_______________________
Autor: 
ChicosBandRabiscando
(Supernovas)






Thank you, Martina Stipan.

You were very kind to allow me to use your artwork in my poem.
Below I leave the image credits to your Instagram.
Credites:https://www.instagram.com/martinastipan/?hl=pt-br





sábado, 27 de julho de 2019

Aquarela zodiacal


Estive três dias sobre o eclipse,
três noites me escondi de você.
Setenta e duas horas vivendo nas
sombras.
Eu não quis encarar os teus olhos.
Por três dias estive em sono.

O teu retrato, o meu outono.
Uma linda imperfeição.
Viajei pra dentro de mim.
Movi os pinceis, então.
Das cores que estavam em cinza.

Pincelei lágrimas em aquarela,
eu não esqueci.
No papel  o teu rosto tracei. 
Juro por Deus,
ontem eu estava triste.
Lembrei de você,
traços lindos rabisquei. 
Eu jurei,
você estava bela.

Refiz toda a paisagem,
pedaços de ti em miragem.
Das mãos de um Vermeer,
teus olhos, tua boca,
corpo e braços.
Assinei o que não se escreve.

O cinza era o belo,
eu descolori você.
Por três dias,
te vi dentro de mim.
Três dias de céu e inferno,
me vi dentro de ti.
Três dias,
eu não conseguia sorrir.

Cortei as assas do meu dragão,
me apaguei em sombras.
Três dias de solidão,
passei a água e pão.
Eu salivei você.

Conjurei-me no eclipse,
sim, eu estava tão triste.
Foi por você que  jurei.
Eu não queria mais te ver.

Vi o cravo renascer do pântano,
sonhei com os zodíacos.
Dia lindo! Manhã triste.
Acordei em espanto.
Conspirei contra os astros,
te recriei no meu quadro.
Quem sabe um dia...
Um dia talvez volte a te ver.

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ChicosBandRabiscando
Aquarela zodiacal
Poema inspirado em Acrilic On Cavas da banda Legião Urbana.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Confissão poética


Por muito tempo eu estava lá dentro.
Dentro de mim, eu, e uma porta entreaberta.
Estranho! Os versos iam e viam...
Chegavam para falar com os meus sentimentos.
De tão rápido que os via, também logo partiam...
Um belo dia decidi abrir-lhes aquela porta.
Foi uma chuva, molhei-me por tantas rimas!
Nada mais sei, tornei-me um poeta.
A poesia é o mistério de todas as coisas.
É um camaleão a mudar a cor da sua pele.
Por nenhum só dia vestirá a mesma roupa.
A poesia simplesmente se autoescreve.





Autor:Francisco de Assis Dorneles
 


















Credites: https://unsplash.com/photos/soGoAfesWO8


sábado, 20 de julho de 2019

O gato da noite


Quero o teu corpo abrigo,
baby.
Uma dose dupla de você.
Teu calor é meu fogo-amigo.
Vou ficar unhando o teu telhado,
farejando migalhas do teu carinho.
O gato da noite chegou cansado,
estou querendo é ser lambido.

Porque hoje estou...
Down   down  down!

Porque hoje estou...

Down  down down!

Baby, 
mande embora o seu namorado,
porque a noite ta um frio gelado.
Tô precisando do teu ninho.
Hoje não quero nenhum papo com a lua,
só tô precisando de um pouco de carinho.
O seu  gato da rua  veio carente,
tudo o que preciso é o teu colo.
Quero vagar por dez noites no teu solo,
confessar segredos neste quarto escuro.

Porque hoje estou...
Down   down  down!

Porque hoje estou...

Down  down down!

Sei que sou  o teu  gato sem botas,

o seu  felino pobre  e sem nota.
Mas você sabe muito bem,
baby.
Sabe que eu sei  sei fazer miau...
Miau!
Ao teu lado me sinto mais seguro,
pois, gatos também ficam escaldados.
Tô precisando de amor,
de amor, baby.
O teu felino caiu do muro,
é só você que  sabe me dá calor.
Fale-me mais desse tal de cupido,
baby.

Porque hoje estou...

Down   down  down!

Porque hoje estou...

Down  down down!



                             

 Autor:     

                                        
Francisco de Assis Dorneles








Credites:https://pixabay.com/pt/photos/grafite-parede-gato-pulverizador-3062069/



















terça-feira, 16 de julho de 2019

Quando eu fui

Eu quis brincar no parque,
mas você já não sabia girar.
Tudo estava  tão diferente,
foi quando tive que acordar.
Por isso estive fora uns dias,
fui para bem longe de mim.

Eu viajei por uns dias,
já não estava mais afim.
Fui embora  por mil dias,
eu me afastei de você.

Desliguei-me de quase tudo,
das coisas que eram ruins.
Estive do outro lado do mundo,
busquei reencontrar meu tempo.
Eu não queria mais te ver.

Fui sozinho fazer a viagem,
mesmo doendo as saudades.
Quis retomar minha  liberdade,
Paguei o preço pra te esquecer,
eu não te levei na bagagem.

Eu viajei por uns dias,
já não estava mais afim.
Fui embora  por mil dias,
eu me afastei de você.





Autor: ChicosBandRabiscando